O Amazonas registrou queda de 58% no valor de empréstimos concedidos pelo BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) no primeiro trimestre do ano. O valor financiado no Estado somou R$ 149,7 mil em comparação com os R$ 353,9 mil referentes a igual período do ano passado.
Em contrapartida, o número de operações contabilizadas pelo órgão cresceu. Até o final de março, foram 1.323, um crescimento de 83% se comparado com as 724 negociações realizadas no mesmo trimestre de 2010.
Segundo o economista da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Freitas, as medidas do governo para restringir créditos e recursos a fim de conter a inflação refletiram nesse resultado. “Empresários que pretendiam investir nesse início de ano pararam para verificar qual seria a repercussão das medidas na economia. Acredito que os investidores ficaram com o pé atrás”, analisou.
Para o economista e consultor empresarial José Alberto Machado, a contradição entre o aumento de operações e o menor valor de desembolso por parte do BNDES pode ser explicada por um ‘freio’ nos investimentos estruturais. “Os investimentos podem estar mais destinados à manutenção e ampliação, mas não a implantação e criação de novas estruturas”, observou.
Operações ‘miúdas’
Enquanto o número de operações da indústria cresceu apenas 13% com 150 operações e um total de empréstimos de R$ 24,9 mil –queda de 62% no confronto com o mesmo período do ano anterior–, o setor de comércio e serviços apresentou um crescimento de 133% no número de operações, passando de 360 em 2010 para 838 entre janeiro e março deste ano.
Em segundo lugar, apareceu o setor de infraestrutura, com crescimento de 46% -334 operações e desembolso de R$ 85,962 mil.
Os números apresentados pelo BNDES demonstram ainda que 63,3% do total de operações nos três primeiros meses foram destinados para os setores de comércio e serviços. Em segundo lugar, apareceu a área de infraestrutura com 25,5%. A indústria representou apenas 11,3% do total.
“Esse maior número na área do comércio mostra que as operações foram ‘miúdas’, ou seja, em grande quantidade, mas com baixos valores”, justificou José Alberto Machado, referindo-se ao desembolso de R$ 38,8 mil em comparação aos R$140,9 mil investidos de janeiro a março de 2010.
Microempresas respondem por 65% dos contratos
De acordo com o economista José Alberto Machado, a razão dos baixos valores pode ser o crescimento dos micro, pequenos e médios empresários. Das 1.323 operações do trimestre, 867 foram destinadas para as microempresas, um salto de 158% em relação ao ano passado. As empresas de porte médio tiveram crescimento de 93% com 143 operações. Já as pequenas empresas mantiveram o número de operações praticamente estagnado.
As microempresas representaram 65% das operações destinadas ao Amazonas, totalizando R$ 27 mil em empréstimos contra os R$ 11,4 mil do ano anterior. As pequenas emprestaram 23% a mais e as empresas de porte médio, 27%. Segundo o órgão, somente as grandes empresas tiveram queda de 4%, com 89 operações contra 93 do ano passado.
Máquinas e equipamentos
Quanto aos produtos, os mais procurados foram o cartão BNDES com 897 operações e 16.644 representando aumento de 148% e o BNDES Finame, voltado para a compra de máquinas e equipamentos, com 421 operações e 99.328 – 44% de crescimento-, o que significa uma mudança na preferência do produto escolhido, tendo em vista a procura geralmente maior por parte dos investidores pelo ‘BNDES Finame’.
O Superintendente regional do Banco da Amazônia, Antônio Benneti destacou que a opção pelo cartão do BNDES se deve às facilidades oferecidas pelo produto. “O cartão é fácil de utilizar, e conforme o titular amortize a dívida, o limite já é aberto automaticamente”, explicou. Segundo ele, a escolha pelo produto é compatível com o crescimento dos micro, pequenos e médios empresários.
Ainda segundo Benetti, o BNDES Finame oferecia taxas de juros bastante atrativas para a compra de equipamentos através do programa PIS. “O encerramento do programa em dezembro do ano passado certamente influenciou a mudança no resultado, além do menor investimento por parte da indústria”, concluiu.






