O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que as Bolsas de Valores mundiais já perderam US$ 29 trilhões desde outubro de 2007, em um ano de crise econômica. O número equivale a cerca de 40% das somas das riquezas produzidas no mundo todo. De acordo com dados coletados pelo BC até o último dia 25, o valor aplicado nas bolsas de valores caiu para menos de US$ 30 trilhões.
Ele comparou também os números do índice Dow Jones da bolsa dos EUA nas crises de 1929 e de 2008. Em valores atualizados, a bolsa estaria hoje no mesmo nível daquela época considerando o número de semanas após o “estouro da bolha”.
“Não há dúvida que houve destruição de riqueza das bolsas desde outubro 2007, de US$ 29 trilhões. Se compararmos a crise de 1929 com a de agora, o pico foi equivalente”, afirmou.
Segundo Meirelles, o sistema bancário também perdeu cerca de US$ 1 trilhão, sendo que parte disso já foi recomposto, devido ao aporte de recursos dos governos dos países afetados. Com pacote de US$ 800 bilhões anunciado ontem nos EUA, o total gastos ou comprometimento do governo norte-americano até agora chega a US$ 5.4 trilhões.
Previsão de crescimento
Henrique Meirelles, disse ainda que a previsão de crescimento da economia brasileira feita pelo FMI (Fundo Monetário Internacional) para 2009 é “conservadora”. O Fundo prevê uma expansão de 3% para o país, abaixo dos 4% estimados pelo governo na proposta de Orçamento para o próximo ano. Henrique Meirelles afirmou que a previsão do Banco Central será divulgada somente em dezembro, mas adiantou que a economia brasileira segue com um bom desempenho, apesar da crise.
“Temos um crescimento do emprego e da renda. A economia brasileira entrou mais forte nessa crise”, afirmou Meirelles durante audiência na Comissão Mista de Planos e Orçamento do Congresso. “A utilização da capacidade instalada da indústria é um índice forte dentro da série histórica. E as indicações são de que o país cresceu de forma robusta até setembro”, disse Meirelles ao adiantar a expectativa para os dados novos do PIB, que serão divulgados somente em dezembro.
Meirelles disse que, apesar da previsão do FMI para o Brasil estar abaixo da feita pelo governo, ela está acima da expectativa do Fundo para o PIB mundial, de 2,2%. “Julgamos a previsão do FMI sobre o Brasil conservadora. Mas se nós olharmos o crescimento do PIB no mundo, o país cresce acima da média mundial. Isso mostra maior resistência da economia brasileira à crise”.







