Bombeiros explicam causa de vazamento de estireno em Manaus; 16 pessoas foram atendidas

Em: 15 de julho de 2026
Composição: Reprodução/Internet

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) detalhou, nesta quarta-feira (15), as causas do vazamento de estireno registrado em uma indústria localizada no Distrito Industrial, na zona Sul de Manaus. De acordo com a corporação, o incidente foi provocado por uma reação química que elevou a pressão no interior de um dos tanques de armazenamento, acionando automaticamente a válvula de segurança do equipamento.

Segundo a tenente Valdenize, responsável por acompanhar a ocorrência, o monômero de estireno armazenado no reservatório sofreu expansão devido ao aumento da temperatura, exigindo a liberação controlada do gás para evitar um acidente de maiores proporções.

“O líquido sofreu uma expansão dentro do tanque, provocando a extrapolação do gás. O sistema de segurança entrou em funcionamento justamente para aliviar essa pressão”, explicou a oficial.

A corporação ressaltou que não houve rompimento do tanque nem falha estrutural na instalação. A liberação ocorreu exclusivamente pelo dispositivo de segurança previsto no projeto da unidade industrial.

“Não existe nenhum equipamento quebrado, nenhum registro rompido. O que houve foi o acionamento da válvula de segurança do próprio tanque”, afirmou a tenente.

Operação mobilizou dezenas de bombeiros

Assim que o vazamento foi identificado, equipes especializadas do Grupamento de Biossegurança e Produtos Perigosos do CBMAM foram deslocadas para a empresa.

Ao todo, cerca de 35 militares participaram da operação, com o apoio de dez viaturas e quatro canhões de água utilizados para reduzir a temperatura do tanque e controlar a reação química. A Polícia Militar do Amazonas também auxiliou no isolamento da área, enquanto brigadistas da própria empresa atuaram em conjunto com as equipes de emergência.

Segundo os Bombeiros, o trabalho agora concentra-se no resfriamento contínuo do reservatório para estabilizar completamente o produto armazenado.

Resfriamento busca impedir novas liberações

De acordo com a tenente Valdenize, a estratégia adotada consiste em reduzir gradualmente a temperatura do estireno para interromper o processo de expansão responsável pela liberação do gás.

“A gente está utilizando os canhões de segurança e a água da reserva técnica de incêndio da própria empresa para fazer o resfriamento do tanque”, explicou.

A expectativa é que, com a redução da temperatura, o material retorne às condições normais de armazenamento, encerrando completamente a emissão do produto.

“A ocorrência está sob controle. Agora aguardamos a estabilização da reação química para que não haja mais liberação de gás”, acrescentou.

Dezesseis pessoas foram atendidas na rede estadual

Embora inicialmente o Corpo de Bombeiros tenha informado que não havia vítimas, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) confirmou posteriormente que 16 pessoas procuraram atendimento em unidades da rede estadual após a ocorrência.

Segundo a secretaria, todos os pacientes apresentavam quadro clínico estável e permaneceram sob avaliação médica.

A SES orienta que qualquer pessoa exposta ao produto procure assistência médica caso apresente sintomas como irritação nos olhos ou na pele, tontura, dor de cabeça, náusea, sonolência, confusão mental, dificuldade para respirar ou perda de consciência.

Odor foi sentido em diversos bairros da capital

O forte cheiro provocado pelo estireno foi percebido por moradores de diferentes regiões de Manaus, inclusive fora do Distrito Industrial.

Segundo a tenente Valdenize, o odor é uma característica natural da substância e costuma ser semelhante ao de solvente, tinta ou verniz.

“O cheiro que a população percebe é característico desse produto. Ele lembra dissolvente, tinta ou verniz”, explicou.

Apesar disso, a oficial reforçou que pessoas que apresentarem qualquer mal-estar devem procurar atendimento médico.

“Se alguém sentir tontura, dor de cabeça, enjoo ou outro sintoma, a recomendação é buscar imediatamente uma unidade de saúde.”

Governo e Prefeitura mantêm monitoramento

A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) passou a monitorar a ocorrência desde os primeiros momentos, acompanhando os chamados recebidos pelos telefones de emergência 190 e 193 e coordenando a atuação das forças de segurança.

Paralelamente, a Prefeitura de Manaus mantém ativo o Gabinete de Crise criado para acompanhar a situação e integrar as ações dos órgãos municipais.

A Defesa Civil orienta que moradores das áreas próximas permaneçam em ambientes abertos ou bem ventilados, mantenham portas e janelas abertas para facilitar a circulação do ar e evitem utilizar aparelhos que façam captação de ar externo, como sistemas de ventilação e ar-condicionado.

Operação continua sem previsão de encerramento

Apesar de a situação estar controlada, o Corpo de Bombeiros informou que ainda não há previsão para o término da operação.

Segundo a corporação, o grande volume de estireno armazenado no tanque exige monitoramento constante até que a temperatura seja completamente estabilizada e cesse qualquer possibilidade de nova liberação do produto.

As equipes permanecem no local realizando o resfriamento do reservatório e monitorando as condições de segurança da unidade industrial.

Lílian Araújo

É Jornalista, Artista, Gestora de TI, colunista do JC e editora do Jornal do Commercio
Pesquisar