‘Boom’ de contratação de temporários derrubou a taxa de desemprego

Em: 23 de dezembro de 2011
O “boom” de contratação de temporários derrubou a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país, que desacelerou de 5,8% em outubro para 5,2% em novembro, a menor da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) iniciada em 2002
O "boom" de contratação de temporários derrubou a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país, que desacelerou de 5,8% em outubro para 5,2% em novembro, a menor da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) iniciada em 2002

O “boom” de contratação de temporários derrubou a taxa de desemprego nas seis principais regiões metropolitanas do país, que desacelerou de 5,8% em outubro para 5,2% em novembro, a menor da PME (Pesquisa Mensal de Emprego) iniciada em 2002. Houve antecipação, de dezembro para novembro, no movimento sazonal de abertura de novas vagas para atender à demanda aquecida desta época do ano, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).
Mas a boa notícia é uma preocupação a mais para a inflação em 2012, que pode ser impulsionada pela renda. Os ganhos do trabalhador continuam em patamar elevado. Embora tenha apresentado estabilidade contra outubro, o rendimento real em novembro foi de R$ 1.623,40, o valor mais elevado para o mês em nove anos. Somente de outubro para novembro, 148 mil pessoas entraram no mercado de trabalho. Na comparação com novembro do ano passado, os novos trabalhadores somaram 431 mil.
“O mercado de trabalho está superaquecido”, avaliou o professor do Departamento de Economia da PUC-Rio e economista da Opus Gestão de Recursos, José Marcio Camargo. O especialista lembrou o histórico da taxa de desemprego, que caiu pela metade desde 2003, favorecida por um crescimento econômico médio anual em torno de 4,5%. “Se continuássemos a crescer a taxas próximas à 4,5%, teríamos zero de taxa de desemprego. E isso não seria bom para a inflação”.
O consumo em alta do trabalhador contribuiu para o avanço gradativo da inflação de serviços. Este segmento acumula alta de 9% este ano – frente a uma inflação média de 6,56% medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15), prévia do IPCA, usado pelo governo como referência para meta inflacionária. “Não adianta ter aumento de salário com inflação alta. O trabalhador pode ter todos os aumentos que quiser, mas o salário acabaria sendo corroído pela inflação elevada”, alertou Camargo.
O bom momento do mercado de trabalho pode ser um dos vilões da inflação para o ano que vem, mas deve gerar em 2011 o menor nível de desemprego anual da história da PME. A taxa média de desemprego de janeiro a novembro deste ano foi de 6,1%, abaixo de igual período no ano passado (6,9%) e inferior à de 2010 (6,7%), até o momento a menor da série. A Rosenberg & Associados espera taxa anual de 6,1% para este ano; e de 6,7% em 2012. Mas alertou que, mesmo com a projeção de desemprego maior, o mercado de trabalho será importante fonte de sustentação para o consumo no ano que vem.
Para o analista da consultoria Tendências, Rafael Bacciotti, o mercado de trabalho em novembro mostrou sinais de resistência, mesmo com atividade econômica mais fraca. Ele projeta taxa de desemprego para 2011 de 6%, abaixo da média apurada até novembro (6,1%). Embora tenha ressaltado que os técnicos do IBGE não fazem previsões, o gerente da PME, Cimar Azeredo, admitiu que, sob uma ótica estatística, o desemprego mensal de dezembro “teria que subir muito” para que 2011 terminasse com taxa de desemprego superior a de 2010.
Isso não parece provável ao se olhar o mercado de trabalho em novembro, que mostrou 54,3% da População em Idade Ativa (PIA) com emprego, o maior porcentual da história da PME, impulsionados por comércio, construção civil, e serviços prestados às empresas. Este último setor foi o principal motivador da melhora nos números dos postos de trabalho na comparação com novembro do ano passado, com acréscimo de 345 mil trabalhadores neste segmento, uma alta de 10,1%. “Isso reflete o crescimento da terceirização na economia”, afirmou Azeredo.
Para o técnico do IBGE, é errado dizer que o mercado de trabalho não foi afetado pela atual desaceleração da economia, visto que os números de novembro foram beneficiados pela contratação sazonal de temporários. “É preciso ver em janeiro qual será o contingente que será contratado de forma efetiva”, resumiu. “Tivemos reação no mercado de trabalho em novembro. Porém, não podemos nos esquecer que ainda há uma fila de 1,3 milhão de pessoas querendo entrar no mercado de trabalho”, disse, referindo-se ao volume de pessoas ainda à procura de emprego no mês.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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