A mais nova das escolas de samba de Manaus, A Grande Família, foi fundada em 19 de março de 1986 como um bloco, na rua Careiro, bairro de São José Operário, zona Leste da cidade, aliás, a escola ficou conhecida como “a escola de samba da zona Leste”, pois reúne brincantes de todos os bairros daquela região: Jorge Teixeira, Tancredo Neves, Zumbi dos Palmares, Armando Mendes e Coroado.
Quando o bloco foi criado, o bairro do São José ainda não tinha nem dez anos de existência. Fora construído na administração do prefeito José Fernandes (1979/1982) e carecia de muita infraestrutura, principalmente porque no entorno da área projetada do bairro surgiram inumeras invasões que fizeram a região ter uma superpopulação em pouco tempo. O bloco acabou se tornando um motivo de diversão para as pessoas que, na então distante região, enfrentavam todos os tipos de adversidades.
Como bloco, A Grande Família permaneceu até 1991 quando foi transformada em escola de samba, recebendo da Associação do Grupo Especial das Escolas de Samba de Manaus (Ageesma), em 1994, convite para integrar o Grupo Especial, no ano seguinte, estreando com o enredo “Navegando num mundo de águas doces” e ficando com o quinto lugar, que se repetiria em 1996, 1997 e 1998 até culminar com a sua desclassificação em 1999. Dando a volta por cima, A Grande Família resolveu brilhar no século 21. Em 2000 conseguiu o vicecampeonato, se preparando para estrear o novo século com seu primeiro título, em 2001, defendendo o enredo “As Amazonas, mulheres guerreiras e figurativas. zona Leste, círculo da alegria”. Em 2003 e 2004, mais dois vicecampenatos, seguidos por um tricampeonato em 2005, 2006 e 2007 e outro título em 2009. A escola tinha vindo para fazer história e, definitivamente, se posicionar entre as grandes.
Promessa do ditador
Em 2013 A Grande Família vai apresentar o enredo “Meta a boca, Manaus, o povo vai falar. “O samba é uma homenagem ao jornalista amazonense Waisser Botelho e a letra irá abordar problemas da capital, como o transporte público e a falta d’água, mas também as coisas boas, enfatizando o povo de Manaus, que enfrenta todos os problemas sem perder a coragem e a alegria”, falou Luiz Gilberto, presidente da escola.
A falta d’água, as ligações elétricas clandestinas, a má qualidade do transporte coletivo e das ruas da cidade são apenas o fio condutor para o desenvolvimento do desfile da escola de samba.“Ainda não tínhamos encontrado um meio de reunir todos estes aspectos. Assistindo o programa do Waisser, resolvemos fazer uma homenagem ao trabalho dele, aliando ao nosso interesse de mostrar a realidade da população”, completou Luiz Gilberto.
Tendo à frente seu símbolo maior, o galo, e com as cores vermelho e branco, o povo da zona Leste, defendendo A Grande Família, que pisa na passarela do samba sábado (9), às 22h40, sendo a terceira escola a desfilar. A escola trará aproximadamente 3.500 integrantes distribuídos em 23 alas e levando cinco carros alegóricos.
O samba enredo deste ano foi composto por Herlon, Marquinhos Dutam, Marinho Saúba, Waguinho e Kalango, e gravado no Rio de Janeiro, com participação de Quinho do Salgueiro e da “Furiosa”, a bateria da escola carioca.
“Vamos entrar para ganhar. O nosso espetáculo está custeado entre R$ 900 mil e R$ 1 milhão. Caso haja um cenário negativo, eu perco a presidência, casa, carro ou o que for, mas a escola entra na avenida”, afirmou o presidente da Grande Família.
Em 2009, quando levou para o Sambódromo o enredo “Venezuela, de Bolívar, o libertador, ao petróleo que move o mundo” e saiu de lá com seu último título, a escola de samba, após entrar em entendimentos com a embaixada da Venezuela, teve a promessa de que receberia do presidente Hugo Chavez, a preciosa ajuda de R$ 1 milhão para custear o desfile daquela ano, mas o Carnaval acabou e junto com ele a esperança de receber o dinheiro prometido. Apesar das dívidas, A Grande Família comemorou o quinto título e persegue o sexto desde então.






