O mercado aproveitou o relativo hiato de más notícias e recuperou terreno, acompanhando o momento positivo das Bolsas americanas, a principal referência externa dos negócios domésticos. A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) fechou em alta moderada. No ano, as perdas acumuladas ainda são de 8,28%.
O Ibovespa, principal índice de ações, valorizou 1,97% no fechamento, aos 58.593 pontos. O volume financeiro foi de R$ 6,19 bilhões.
A Bolsa brasileira teve um dia bastante instável e somentou firmou tendência após a abertura das Bolsas americanas. O mercado está nervoso com a proximidade do reunião do Federal Reserve (banco central americano), que vai decidir a nova taxa básica de juros. Com a economia dos EUA sob a sombra de uma recessão, a reunião do Fed desponta como decisiva para o mercado financeiro.
Neste pregão, as ações da Petrobras foram os papéis que mais uma vez puxaram a recuperação da Bolsa. A ação preferencial da petrolífera teve giro superior a R$ 1 bilhão, e valorizou 5,38%, sendo negociada a R$ 80,87 no pregão.
“Pela manhã, o mercado da Ásia afetou um pouco o mercado. Depois que a Bolsa de Nova York abriu (à tarde), com os resultados bons de algumas empresas por lá, o mercado melhorou. O que ajudou também por aqui foram as ações da Petrobras. Na sexta-feira, quando houve não houve negócios no Brasil, as ADRs dela subiram muito em Nova York, o que animou os negócios ontem”, relata Rogério Nunes, operador da corretora Walpires. ADRs são ações de empresas estrangeiras negociados nos Estados Unidos.
O Fed já ajustou os juros americanos em 0,75 ponto percentual, para 3,50% ao ano, na semana passada, por meio de reunião extraordinária. Nesta semana, alguns analistas e investidores jogam com a possibilidade da autoridade monetária não mexer nos juros na reunião regular, programada para hoje e amanhã. A expectativa predominante, no entanto, continua ser a aposta por uma nova redução, desta vez, de 0,50 ponto percentual.
Um dos motivos é o anúncio do Departamento do Comércio, que informou ontem que as vendas de casas novas nos EUA caíram 26,4% em 2007, pior resultado desde 1980, quando houve queda de 23,1%. Os dados sinalizaram uma situação ainda mais difícil que o antevisto por analistas e investidores para a economia americana, e isso faria com que o Fed precise reduzir os juros.
Entre as principais notícias de empresas, o banco Bradesco anunciou lucro recorde de R$ 8,010 bilhões em 2007, um avanço de 58,5% sobre o balanço anterior. Para analistas, o resultado veio dentro do esperado pelo setor financeiro.
Bolsas da Europa caem
As Bolsas européias fecharam em baixa ontem. As preocupações sobre o desempenho da economia global, que pode ser atingida por uma eventual recessão nos EUA, e a queda no setor bancário, influenciada pelos dados negativos do Société Générale (SocGen), afetaram o ânimo dos investidores europeus para negócios.
O índice FTSEurofirst 300, que reúne as ações das principais companhias européias, fechou em queda de 1,2%, com 1.314,66 pontos. Durante o dia, o índice chegou a cair 2,5%.
A Bolsa de Londres fechou em baixa de 1,36%, operando com 5.788,90 pontos; a Bolsa de Paris caiu 0,61%, indo para 4.848,30 pontos; a Bolsa de Milão teve queda de 0,15%, indo para 25.858 pontos; e a Bolsa de Zurique perdia 1,37%, indo para 7.581,73 pontos.
A Bolsa de Frankfurt teve ligeira variação positiva de 0,03%, para 6.818,85 pontos; e a Bolsa de Amsterdã subiu 0,14%, indo para 439,32 pontos;
As ações do francês SocGen caíram 3,4% após a redução da classificação dos papéis do banco francês de “compra’ para “venda’, feita pelo Citigroup. Na semana passada, o SocGen informou ter descoberto um esquema de fraude que custou mais de US$ 7 bilhões.






