Bovespa fecha em alta de 4,37% após redução de juros nos EUA

Em: 29 de outubro de 2008
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) emendou o segundo dia de forte valorização, a reboque do ânimo dos investidores com o corte dos juros básicos promovido pelo Federal Reserve
A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) emendou o segundo dia de forte valorização, a reboque do ânimo dos investidores com o corte dos juros básicos promovido pelo Federal Reserve

A Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo) emendou o segundo dia de forte valorização, a reboque do ânimo dos investidores com o corte dos juros básicos promovido pelo Federal Reserve. Para economistas do setor financeiro, o banco central americano deixou a porta aberta para outros ajustes da taxa básica local. A ansiedade dos investidores não acabou por essa semana: hoje, 30, o governo americano divulga uma revisão da evolução do PIB local no terceiro trimestre. Analistas temem que os números oficiais revelem um declínio de 0,5%.
O termômetro da Bolsa, o Ibovespa, ganhou 4,37% no fechamento e alcançou os 34.845 pontos. O giro financeiro foi de R$ 4,96 bilhões. O mercado brasileiro foi favorecido também recuperação dos preços das commodities (matérias-primas).
As ações brasileiras preferidas pelos investidores são de empresas ligadas aos setores de petróleo e gás, bem como minerais metálicos. O exemplo mais visível é o petróleo: o barril subiu quase 10% e bateu a cotação de US$ 68.8 na praça de Nova York (Nymex).
A ação preferencial da Petrobras valorizou 6,73%; a ação preferencial da Vale, outro papel bastante influente da Bolsa, subiu 2,39%. Juntas, as duas ações movimentam mais de 30% do giro total da Bolsa.
A taxa de risco-país marca 483 pontos, número 8,7% abaixo da pontuação anterior. O BC (Banco Central) interferiu no mercado de câmbio com dois leilões de “swap” cambial, colocando US$ 1,08 bilhão desses contratos junto aos agentes financeiros. Os contratos de “swap” cambial oferecem proteção ao agente financeiro contra as oscilações do câmbio, o que tende a tirar pressão sobre os preços da moeda americana.
As Bolsas européias encerraram os negócios de ontem em terreno positivo, a exemplo de Londres (7,14%), Paris (9,23%), com exceção do mercado de Frankfurt (baixa de 0,30%). Nos EUA, a Bolsa de Nova York sustentou uma alta durante boa parte do pregão, mas caiu 0,82% no fechamento. O FED (BC dos EUA) decidiu reduzir os juros básicos da economia americana de 1,5% ao ano para 1%. Em seu “statement” (comunicado pós-reunião), o BC americano salientou o desaquecimento da economia dos EUA e reforça expectativa de inflação moderada.
“O ritmo da atividade econômica parece ter caído acentuadamente, devido em grande parte a um declínio nos gastos dos consumidores”, afirma o colegiado de diretores do FED. Citando a redução nas cotações do petróleo e demais commodities desde o final do primeiro semestre, o Fed afirma ainda esperar “que a inflação fique moderada nos próximos trimestres, em níveis consistentes com a estabilidade de preços”.
Para o economista-chefe do banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, “o comunicado de hoje intensifica a percepção de recessão que já vinha desde a mudança extraordinária (o corte de 2% para 1,5%)”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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