O alívio do mercado com a liberação maciça de dólares dos bancos centrais não durou muito e investidores optaram por realizar lucros e vender papéis próximo ao encerramento dos negócios. Há consenso entre analistas de que “o pior ainda não passou”.
O Ibovespa, principal indicador da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), finalizou a segunda-feira em queda de 0,39%, aos 52.434 pontos, após chegar a subir quase 2% durante o pregão. O volume financeiro foi de R$ 3,78 bilhões, na média do giro diário do mês.
Na Ásia e na Europa, as principais Bolsas buscaram reverter as perdas da sexta-feira, a exemplo de Tóquio, que fechou em alta de 0,2%, e Londres, que terminou com elevação de 2,99%. Nos EUA, porém, a Bolsa de Nova York fechou praticamente estável, com leve queda de 0,02%, após operar quase todo o dia no setor positivo.
O sopro de otimismo veio do Federal Reserve (banco central dos EUA), do BCE (zona do euro) e do Banco do Japão, que voltaram a agir para conter o princípio de uma crise de liquidez (oferta de crédito) na segunda-feira, dando sequência à oferta de dólares anunciada na semana passada.
No setor privado, o banco americano de investimentos Goldman Sachs injetou US$ 3 bilhões em seu fundo de investimento de risco Geo (Global Equity Opportunities), que foi afetado pela queda das bolsas.
O efeito positivo dessa ação coordenada das principais autoridades monetárias do planeta, no entanto, começou a diluir no decorrer do dia. Investidores ainda têm incertezas sobre as repercussões da crise do mercado de crédito imobiliário americano, que sofre de pesada inadimplência.
“Seguimos recomendando cautela, vendo o cenário de curto prazo ainda indefinido e muito volátil e o de médio e longo prazo como positivo”, avalia a equipe de análise da corretora Prosper, numa síntese do pensamento predominante no mercado.
A tensão no mercado global e as quedas das principais Bolsas de valores do mundo começaram na semana passada, ao refletir a notícia de que o banco francês BNP Paribas havia congelado o saque de três de seus fundos de investimentos.
A instituição, uma das maiores da Europa, alegou dificuldades em contabilizar as reais perdas desses fundos, que tinham recursos aplicados em créditos gerados a partir de operações hipotecárias americanas. No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa.
Esses créditos imobiliários, chamados de “subprime” (de segunda linha), são gerados a partir empréstimos com tomadores que podem oferecer menos garantia. Embutem maior risco de crédito e por isso, têm juros maiores, o que os torna mais atrativos para gestores de fundos em busca de retornos melhores. O mercado já monitorava há meses os problemas com esses créditos.
Bovespa fecha em queda de 0,39%, aos 52.434 pontos
Em: 13 de agosto de 2007
Esses créditos imobiliários, chamados de “subprime” (de segunda linha), são gerados a partir empréstimos com tomadores que podem oferecer menos garantia
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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