A diretora da área de ratings soberanos e analista responsável pelo Brasil, Lisa Schineller, afirmou em entrevista concedida em Nova York, que foi muito importante que o governo, especialmente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tenha manifestado que vai manter a meta de 3,8% do PIB (Produto Interno Bruto) para o superávit primário (economia que o governo faz para pagamento de juros) no próximo ano. “É muito relevante o compromisso do presidente da República de manter o superávit primário intacto, apesar de não poder contar com as receitas da CPMF para 2008”, comentou.
Para Lisa, se o governo comprovar em números oficiais no primeiro trimestre de 2008 que de fato manterá o superávit primário dentro da meta de 3,8% do PIB, isso “manterá o país no caminho certo” para receber uma elevação da nota de classificação de risco (up grade) pela Standard & Poors, que na prática representará a concessão do grau de investimento.
Em maio, a agência internacional elevou o rating soberano do Brasil para BB+ para moeda estrangeira, com “perspectiva positiva”. De acordo com a presidente da S&P no Brasil, Regina Nunes, em 73% dos casos dos países que recebem a nota “perspectiva positiva” da empresa essa avaliação se torna um up grade em um prazo de um ano e dois meses. Este é um dos motivos que levam muitos analistas a avaliar que o Brasil pode receber o grau de investimento no segundo semestre do próximo ano.
“A manutenção do bom histórico de gestão das contas públicas, inclusive com o cumprimento das metas de superávit primário, devem colaborar para que o país continue no processo de avaliação para o recebimento do grau de investimento”, afirmou a executiva.
A S&P assume que o governo conseguirá compensar as perdas de R$ 39 bilhões de arrecadação da CPMF especialmente com cortes de despesas e eventuais aumentos pontuais de alguns impostos.







