Brasil critica países desenvolvidos por guerra fiscal mundial

Em: 14 de outubro de 2010
Em apresentação a investidores em Nova York, o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, criticou duramente o governo americano e culpou os EUA e outros países desenvolvidos pela falta de um acordo internacional para impedir uma guerra cambial
Em apresentação a investidores em Nova York, o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, criticou duramente o governo americano e culpou os EUA e outros países desenvolvidos pela falta de um acordo internacional para impedir uma guerra cambial

Em apresentação a investidores em Nova York, o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, criticou duramente o governo americano e culpou os EUA e outros países desenvolvidos pela falta de um acordo internacional para impedir uma guerra cambial. Ao mesmo tempo, ele evitou condenar a China por manter artificialmente a sua moeda desvalorizada.
Dizendo ser um defensor da flutuação do câmbio em todo o mundo, o ministro disse ter esperança de que os países consigam chegar a um acordo em encontro do G20 no próximo mês. Mantega, em sintonia com analistas internacionais, afirma que todos os países tendem a perder se não atuarem em conjunto.
“O Fed (banco central dos EUA) promete uma expansão quantitativa da moeda, despejando recursos na economia. Outras nações avançadas estão fazendo o mesmo. Mas isso não vai reativar as economias. Na verdade, irá apenas desvalorizar o dólar e outras moedas, incluindo a chinesa, que está atrelada à americana”, disse o ministro brasileiro em apresentação no Council of the Americas.
Sem conseguir se expressar em inglês e recorrendo a um tradutor, Mantega disse “condenar as ações na área cambial, pois podem prejudicar o comércio exterior. O ideal seria a livre flutuação. Espero poder discutir a questão no G20. No fim, é uma guerra comercial”.
Na avaliação do ministro, os países avançados, especialmente os Estados Unidos e a Alemanha, deveriam atuar na área fiscal. “Eles precisam estimular a demanda”, afirmou. Segundo Mantega, não há risco de um duplo mergulho, com a economia em formato de “W”, enfrentando uma nova recessão no curto prazo. “O mais provável é que os EUA e a União Europeia fiquem em “L”, com as economias demorando muito tempo para se recuperar”, acrescentou sempre frisando a crise americana, Mantega insistiu no elevado desemprego nos EUA e afirmou que os consumidores do país apenas estão pagando dívidas. Com a expansão monetária, segundo ele, os dólares serão aplicados nos mercados emergentes (como o Brasil), que terão as suas moedas ainda mais valorizadas. E, consequentemente, os países atuarão para proteger as suas moedas de uma super valorização.
Por enquanto, Mantega disse aos investidores que a única medida do governo brasileiro será o IOF sobre para aplicações financeiras.
Questionado durante entrevista coletiva se o governo tem algum mecanismo caso esta medida fracasse em impedir a valorização, Mantega afirmou haver “uma arma oculta”, mas disse que não iria especificar qual seria. Os investidores se mostraram preocupados com a falta de algumas reformas. Mantega concordou que poderia ter sido feito mais.
Segundo ele, o ideal seria que a reforma tributária houvesse sido aprovada, mas a proximidade das eleições impediu que a proposta fosse enviada ao Congresso.
Durante toda a apresentação, o ministro evitou criticar a China, que tem sido duramente condenada pelos EUA e outros países por manter artificialmente a sua moeda desvalorizada. Perguntado pelo Grupo Estado se a moeda chinesa não seria um problema, ele preferiu voltar a criticar os americanos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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