O comércio eletrônico brasileiro segue em ritmo acelerado de expansão e deve consolidar o país entre os mercados mais promissores do mundo. Segundo projeções apresentadas pela EMARKETER durante o terceiro dia (30) do Fórum E-Commerce Brasil 2026, o Brasil será o sétimo mercado de e-commerce com crescimento mais rápido em 2026, impulsionado pela digitalização do consumo e pela evolução da jornada de compra.
Durante a apresentação, Matteo Ceurvels, analista principal para América Latina e Espanha da EMARKETER, destacou que o Brasil já representa mais de 40% de todas as vendas online da América Latina e deve praticamente dobrar o volume movimentado pelo comércio eletrônico entre 2024 e 2030.
“O mercado varejista brasileiro continua sua rápida digitalização“, resumiu.
Segundo o especialista, o avanço não acontece apenas pelo aumento do número de compradores digitais, mas também pela elevação do ticket médio anual, reflexo de consumidores cada vez mais habituados a comprar pela internet.

A pesquisa também mostra que a jornada de compra mudou significativamente nos últimos anos. Se antes o consumidor percorria diferentes etapas até concluir uma compra, hoje a expectativa é reduzir esse caminho ao máximo, passando da descoberta do produto para a conversão em poucos passos.
Marketplaces seguem na liderança
O levantamento confirma que os marketplaces continuam sendo o principal ambiente de compra dos brasileiros. Embora Amazon, Mercado Livre e Shopee liderem em audiência, a liderança em volume de vendas permanece concentrada no Mercado Livre, responsável por cerca de 37% do market share nacional.
Outro comportamento observado é o crescimento do consumo em múltiplas plataformas. Em vez de permanecer fiel a um único marketplace, os consumidores pesquisam preços, condições de entrega e ofertas em diferentes canais antes de concluir a compra.
O estudo também apontou diferenças importantes entre as categorias mais relevantes em cada mercado. No Brasil, eletrônicos seguem liderando o faturamento do comércio eletrônico, acompanhados por segmentos como autopeças. Já os serviços de entrega de comida continuam entre os hábitos mais consolidados dos consumidores, com oito em cada dez brasileiros utilizando esse tipo de serviço.
Segundo Matteo, vídeos curtos, transmissões ao vivo e conteúdos publicados nas redes sociais também ganharam espaço na etapa de pesquisa de produtos, reforçando a influência do conteúdo sobre as decisões de compra.
IA, social commerce e retail media devem acelerar a transformação
Ao projetar os próximos anos, a EMARKETER apontou três movimentos que devem concentrar os investimentos do setor: inteligência artificial, redes sociais como canais de venda e retail media.
De acordo com o estudo, quase metade dos internautas brasileiros já utilizam ferramentas de inteligência artificial diariamente, e o Brasil deve superar a China em usuários mensais de IA generativa pela primeira vez. Para Matteo, a tecnologia tende a ocupar um papel cada vez mais relevante na descoberta de produtos e na personalização da experiência de compra, sem eliminar a necessidade da supervisão humana.
O especialista também destacou o avanço do TikTok Shop como um dos principais impulsionadores do social commerce no país. Apesar do crescimento acelerado, a plataforma ainda representa uma parcela menor das vendas em comparação aos grandes marketplaces, o que indica potencial de expansão.
Ao encerrar a apresentação, Matteo reforçou que a rápida digitalização do varejo brasileiro, aliada ao avanço da inteligência artificial, do social commerce e do retail media, deve continuar transformando a forma como consumidores descobrem produtos e realizam suas compras nos próximos anos.







