Brasil registra primeiro resultado negativo desde 1992

Em: 11 de março de 2010
Sob influência da crise, o Brasil registrou, em 2009, a primeira retração na atividade econômica desde 1992
Sob influência da crise, o Brasil registrou, em 2009, a primeira retração na atividade econômica desde 1992

Sob influência da crise, o Brasil registrou, em 2009, a primeira retração na atividade econômica desde 1992. Naquele ano, a redução foi de 0,47%. A queda foi de 0,2%, segundo dados relativos ao PIB (Produto Interno Bruto), divulgados na quinta-feira pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Desde o início da nova série, em 1996, é o primeiro índice negativo registrado pelo IBGE.
Nem mesmo a recuperação da atividade econômica no segundo semestre foi suficiente para impedir o resultado negativo. No quarto trimestre do ano passado, o PIB teve avanço de 2% em relação aos três meses imediatamente anteriores – a maior alta desde o quarto trimestre de 2007 (2,3%). Na comparação com o período de outubro a dezembro de 2008, a economia registrou alta de 4,3%, representando o primeiro resultado positivo após três trimestres e a maior variação desde o terceiro trimestre de 2008 (7,1%).
A alta frente ao trimestre anterior confirma a recuperação da economia. No terceiro trimestre, o PIB havia subido 1,7% frente aos três meses imediatamente anteriores, segundo dados revisados pelo IBGE. Ao todo, a economia movimentou R$ 3,143 bilhões em 2009. O PIB, que mostra o comportamento de uma economia, é a soma das riquezas produzidas por um país – é formado pela indústria, agropecuária e serviços.
O PIB também pode ser analisado a partir do consumo, ou seja, pelo ponto de vista de quem se apropriou do que foi produzido.
Neste caso, é dividido pelo consumo das famílias, pelo consumo do governo, pelos investimentos feitos pelo governo e empresas privadas e pelas exportações.
O investimento, medido pela chamada Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), caiu 9,9% no ano passado, em relação a 2008. No quarto trimestre, se comparado aos três meses imediatamente anteriores, houve crescimento de 6,6%; em relação a igual trimestre em 2008, o IBGE aponta alta de 3,6%.
A taxa de investimento no ano passado passado representou 16,7% da formação do PIB. Em 2008, significava 18,7%. O número registrado em 2009 é o menor em três anos -em 2006, era de 16,4%.
O setor industrial teve queda de 5,5% frente a 2008. Em relação ao período de julho a setembro, a indústria apresentou aumento de 4% em sua atividade; na comparação com o quarto trimestre de 2008, houve avanço de 4%.
Já o setor de serviços registrou incremento de 2,6% sobre 2008. Em relação ao terceiro trimestre, o PIB dos serviços aumentou 0,6%; em relação aos últimos três meses de 2008, observou-se incremento de 4,6%.
O setor agropecuário teve desempenho 5,2% inferior ao longo de 2009. No quarto trimestre, o PIB do setor ficou estável em relação ao trimestre anterior; em relação ao último trimestre de 2008, a agropecuária teve queda de 4,6%.
O consumo das famílias registrou incremento de 4,1% no ano passado. Quando confrontado com o terceiro trimestre, nota-se alta de 1,9% no consumo das famílias de outubro a dezembro de 2009; na comparação com o quarto trimestre de 2008, foi verificada alta de 7,7%.
O consumo do governo em 2009 cresceu 3,7%, segundo o IBGE. No último trimestre do ano passado, foi notado avanço de 0,6% frente aos três meses imediatamente anterior; na comparação com o quarto trimestre de 2008, houve alta de 4,9%.

Crescimento em ritmo menor

O consumo das famílias manteve-se em alta, ainda que em ritmo menor, pelo sexto ano seguido, com avanço de 4,1% frente a 2008, o menor número desde 2004 (3,4%). O resultado confirma a manutenção do aquecimento do mercado interno, que amorteceu a queda do PIB ao longo do ano passado.
Em 2008, o consumo das famílias havia crescido 7% em relação ao ano anterior.
No ano passado, a economia brasileira teve retrocesso de 0,2%, primeiro resultado negativo desde 1992. No quarto trimestre, houve alta de 7,7% frente aos três últimos meses de 2008. É o incremento mais significativo observado desde o terceiro trimestre de 2008, quando avançou 9,3%.
“O consumo das famílias puxou o resultado nesta comparação, voltando a crescer a patamares próximos ao período anterior à crise’’, afirmou a gerente de Contas Trimestrais do IBGE, Rebeca Palis.
No terceiro trimestre de 2009, o consumo das famílias registrou aumento de 3,9% na comparação com igual período no ano anterior. De abril a junho de 2009, o incremento havia sido ainda menor (3%).
Ainda nos três meses finais de 2009, o consumo das famílias apresentou alta de 1,9% em relação ao 3° trimestre.
O consumo das famílias é relevante na composição do PIB pela ótica da demanda.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar