Como prever o futuro? Deve levar algum tempo para que o ser humano desenvolva uma tecnologia capaz de cumprir tal tarefa com a maestria demonstrada pela ficção científica, mas uma nova categoria de profissionais pretende chegar perto: são os engenheiros de inovação.
A profissão -que de fantasiosa não tem nada -deve receber sua primeira leva de graduados em 2019, quando a turma inaugural do Isitec (Instituto Superior de Inovação e Tecnologia) deve se formar. Mantida pelo Seesp (Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo) e homologada perante o MEC (Ministério da Educação) desde 2013, a instituição resolveu assumir posição de vanguarda após perceber aquilo que boa parte do mercado ainda reluta a admitir: a inovação vai virar modelos de negócio de ponta cabeça em todas as áreas.
“A demanda do mundo atual é que o engenheiro seja muito mais que um especialista: ele deve ser um engenheiro que consiga solucionar problemas que podem nem terem sido pensados ou vividos”, avalia o diretor de graduação do Isitec, José Marques de Póvoa.
A solução encontrada foi a criação de uma grade um pouco diferente daquela vista nos cursos de engenharia ditos “tradicionais”, cuja metodologia por demais segmentada acaba conduzindo “a caminhos um pouco estreitos”, na visão do diretor de extensão do Isitec e um dos responsáveis pela implementação do projeto na universidade, Antonio Octaviano.
No caso da Isitec, o caminho encontrado envolve uma carga horária (4,5 mil horas distribuídas em cinco anos de ensino integral) maior que a praticada e que engloba vivências transdisciplinares pouco comuns aos futuros engenheiros regulares, como empreendedorismo. A atenção com o lado “humano” da formação acadêmica é justificada por Póvoa, que classifica o movimento de inovação como uma intersecção da tecnologia com os campos da economia e sociedade -motivo pelo qual os aspectos não deveriam ser estudados em separado. As novidades também envolvem mudanças no esquema tradicional de aulas, criando um ambiente menos “engessado” e mais propenso a ideias inovadoras.
Antonio Octaviano afirma que não haverá, no futuro, nenhum tipo de limitação que impeça a atuação de engenheiros de inovação em áreas tradicionais. “Ele vai ter essa flexibilidade e outros profissionais também devem seguir essa tendência”, afirma o diretor de extensão do Isitec, que faz coro com Marques de Póvoa ao afirmar que o modelo “regular” e o “inovativo” não vão, necessariamente, entrar em choque.
“É difícil afirmar que uma profissão vai substituir a outra. Elas estão mudando e as empresas também”, afirma Octaviano. Seu colega, por sua vez, é um pouco mais incisivo. “Se o engenheiro ‘tradicional’ não se adaptar a nova realidade, não haverá vagas.”
Longo caminho até a consolidação
De toda forma, a oferta por cursos de graduação em engenharia de inovação ainda é escassa; com 20 alunos, a terceira turma de alunos da Isitec iniciou seus estudos no começo de agosto passado -no início do ano, a carioca Universidade Veiga de Almeida também lançou curso similar.
Como a Isitec não tem fins lucrativos, boa parte dos alunos possui bolsas integrais e auxílio estudantil. “Atualmente eles se organizam em iniciativas do tipo empresa júnior”, conta Octaviano. “Também temos um grupo de alunos desenvolvendo um app para o [Núcleo de Inovação Tecnológica] NIT Mantiqueira, que será lançado no 3° Seminário de Inovação”; o evento ocorre no dia 23 de setembro. Também há um Fab Lab -pequenos laboratórios de manufatura aditiva, ou simplesmente impressão 3D -funcionando na estrutura da universidade.
Além do apoio da mantenedora e também da FNE (Federação Nacional dos Engenheiros), cursos pagos de pós-graduação ou extensão também financiam o modelo. “Temos a pós em gestão de energia em parceria com a Câmara Brasil-Alemanha, com certificação válida no Brasil e na União Europeia e um curso de Energia Heliotérmica em parceria com a Agência Alemã de Cooperação Internacional”, afirma Octaviano. Em breve, a intenção é ampliar o escopo das parcerias também para a graduação, envolvendo também empresas nacionais. “É uma das metas do Isitec ser reconhecido em breve como um novo paradigma da educação de Engenharia nacional”, finaliza Nóvoa. As informações são do DCI e Estadão Conteúdo.







