A desigualdade social no Brasil levou a um déficit educacional que está se tornando um sério obstáculo ao crescimento social. Muito embora as empresas estejam investindo como nunca em ações de responsabilidade corporativa, estas ações precisam ter a escala necessária para gerar as mudanças de que a sociedade necessita a curto prazo. A opinião é de Wanda Engel, Superintendente Executiva do Instituto Unibanco, que em agosto fará palestra no 34º Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas abordando o tema da escala necessária em ações sociais para que elas tenham o impacto que a sociedade precisa.
Segundo Wanda, que foi Ministra da Ação Social do Governo Fernando Henrique Cardoso, um dos principais problemas nas ações sociais voltadas para a educação é justamente a escala dessas iniciativas, relativamente limitadas e de alcance social restrito.
Ações de educação
“Há pelo menos três tipos de ações sociais voltadas para a educação no Brasil. O primeiro tipo é quando a instituição, empresa ou organização cria uma escola e desenvolve um método próprio de ensino, investindo na formação de pessoal que vai atuar na empresa no futuro. O segundo é quando a empresa adota uma determinada escola pública e a transforma em modelo operacional. A última opção é quando a instituição apóia as escolas públicas de modo amplo, aportando recursos e cobrando melhoria de desempenho. Entendemos que esta última opção tem maior escala e, portanto, provoca o impacto necessário para a melhoria do ensino no Brasil”, explicou.
Para Wanda, a questão da educação e formação profissional no Brasil é dramática e exige uma interação entre o poder público, organizações não-governamentais e empresas, algo que deve ser pensado e estruturado em caráter de urgência. “Acreditamos que, também neste caso, as parcerias público-privadas, pensadas já no governo anterior, podem ser preciosos mecanismos para reduzirmos a distância que nos separa de países mais desenvolvidos no que diz respeito à educação e formação dos brasileiros. Não podemos esquecer que enquanto apenas 16,4% da população economicamente ativa no Brasil tem ensino médio, em outros países latino-americanos como México, Argentina e Chile esse índice supera os 30%”, assinalou.
Nesse sentido, explicou Wanda, uma contribuição importante do setor empresarial para as Parcerias Público-Privadas seria, justamente, a característica marcante desse segmento que é a de mensurar com muita eficiência os resultados de seus investimentos e ações: “A lógica dos resultados, que é a realidade cotidiana das empresas, pode fazer muito sentido aos programas de investimento em educação, condicionando a aplicação de recursos ao avanço dos indicadores não só de escolarização, mas de qualidade do ensino”, enfatizou.
Wanda Engel é uma das palestrantes confirmadas do 34º Congresso Nacional sobre Gestão de Pessoas, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos, que acontece entre os dias 19 e 22 de agosto em São Paulo.







