Para amantes do retrô, shopping virtual de brechós estreia com 30 lojas
De olho nos amantes da moda retrô e vintage, a gerente de marketing Raquel Braga, 39, lançou o Brechó Market, um shopping virtual que reúne brechós de todo o país para vender seus produtos online. A novidade foi apresentada na Feira do Empreendedor, que terminou ontem, terça-feira (10), em São Paulo.
O investimento inicial foi de R$ 300 mil, segundo ela. O site foi lançado oficialmente no dia 7 de fevereiro, mas desde 2014 realiza o cadastro de lojistas interessados. Para participar, basta ter CNPJ e fotos de qualidade dos produtos.
Até agora, são 31 brechós cadastrados e cerca de 300 produtos. A meta, segundo Braga, é encerrar o primeiro ano com mil brechós parceiros e 30 mil itens à venda. Entre as ofertas, há roupas femininas, masculinas e infantis –algumas nunca usadas, com etiqueta original- -, acessórios, artigos para a casa e discos. “Queremos ajudar a formalizar e a profissionalizar esse mercado. Muitos brechós não vendem online porque não conseguem manter a estrutura de uma loja virtual, com meios de pagamento seguros. Alguns até têm blogs, mas ficam na troca de e-mails para negociar e não atualizam a página quando um item é vendido, por exemplo”, diz.
O Brechó Market é um negócio que funciona no modelo de “marketplace”, ou seja, um ambiente de negócios que une vendedores e compradores. Durante a compra, o cliente pode escolher produtos de fornecedores diferentes, mas fazer um único pagamento. Em cada venda, o site ganha uma comissão de 20%. O brechó não paga para aderir ou utilizar as ferramentas da plataforma. Entre as ferramentas, estão meios de pagamento, proteção contra hackers, cálculo automático do frete, e-mails e troca de mensagens entre vendedor e comprador que informam o status do pedido, customização da página do brechó, e-mail marketing, painel administrativo com informações sobre estoque e vendas, aplicativo para edição de fotos e atualização automática do estoque virtual após a venda.
Mercado é promissor
Para Marcelo Sinelli, consultor do Sebrae-SP (Serviço de Apoio a Micro e Pequena Empresa de São Paulo), a proposta do negócio é boa, pois funciona como um agregador de conteúdo que facilita as compras da cliente final.
Além disso, segundo ele, os brechós são um mercado promissor, pois pregam o consumo consciente, que é uma tendência. No entanto, é importante ter muitos fornecedores e conquistá-los para que permaneçam no site.
“É relativamente fácil copiar esse modelo de negócio. Se der certo, em pouco tempo, haverá outros. O ideal é conseguir se consolidar como o primeiro e se tornar referência no segmento. O site tem que oferecer cada vez mais ferramentas que facilitem a vida do dono de brechó. Assim, ele não migrará para outras plataformas no futuro”, diz.
Ele diz que a comissão de 20% sobre as vendas parece alta, embora se trate de um negócio novo e sem referências anteriores.
“A maioria dos negócios têm uma margem de lucro de 10% a 15%, alguns chegam a 20%. O empresário pode não querer pagar uma comissão maior do que sua margem de lucro. É o mercado que vai dar o resultado e dizer se essa comissão é viável ou não. Talvez ela tenha que adaptar”, afirma.
Por outro lado, ele diz que a plataforma ajuda os donos de brechós a reduzirem seus custos com divulgação e atração de clientes, o que pode valer o investimento. Outra opção para o site, segundo ele, é diversificar suas fontes de renda, com a cobrança por postagens em redes sociais ou destaque na home page, por exemplo, alternativas que já são consideradas por Braga.