O presidente da CE (Comissão de Educação, Cultura e Esporte), senador Cristovam Buarque (PDT-DF), afirmou, em entrevista à Agência Senado, que o Brasil deverá ter como prioridade em 2008 ações contra a violência, a insegurança, a corrupção e a impunidade. A redução da pobreza e a diminuição do desemprego também devem ser emergenciais para os brasileiros, declarou.
Além de objetivos imediatos, Cristovam apontou outros, como a mudança da mentalidade de consumo e o cuidado com a preservação do meio ambiente. Esses são os primeiros passos para se garantir a própria sobrevivência da humanidade, segundo o senador.
Para o Brasil, Cristovam defendeu um programa de desenvolvimento econômico que respeite as exigências da sustentabilidade ecológica.
“A utopia socialista de hoje não é mais a igualdade do consumo e de renda, a utopia é a mesma chance para todos, a igualdade de oportunidades para diferentes classes e gerações. Isso é o que a humanidade tem que garantir, eu disse a humanidade, não disse o Brasil” destacou Cristovam.
O senador e ex-ministro da Educação voltou a afirmar o que tem repetido ao longo dos últimos anos: que a igualdade de oportunidades entre classes diferentes somente poderá ocorrer se todos tiverem as mesmas oportunidades de educação.
Soberania na Antártida
Depois de uma visita feita na semana passada à base brasileira de pesquisas científicas na Antártida, Cristovam Buarque, que é presidente no Congresso Nacional, da bancada de apoio ao Proantar (Programa Antártico Brasileiro), defendeu mais investimentos nas pesquisas científicas e preservação dos recursos naturais. Ele destacou a importância da presença do Brasil naquele continente.
“Primeiro, temos a importância geopolítica do programa, é o Brasil colocar o pé naquele continente que não tem dono –e vai ter dono, já estão encontrando até petróleo, os ingleses encontraram. Segundo, o avanço nas pesquisas dos cientistas brasileiros sobre climatologia, oceanografia, biologia em geral e outros campos mais específicos”, afirmou.
Cristovam Buarque disse que seu interesse pela Antártida vem de muito tempo. Ele contou que, quando governador, em 1997, tentou chegar até a base brasileira, mas problemas climáticos e técnicos o impediram.
“Meu interesse tem vários aspectos: o patriótico de ver nossa presença lá, o de pesquisador que sou e a própria aventura da viagem à Antártida” explicou o professor e ex-reitor da UNB.
Perigo para Amazônia
Cristovam Buarque disse que o Brasil tem que cuidar melhor da Amazônia. De acordo com a análise do senador, para preservar a Amazônia, além de criar o royaltie florestal, de pagar por árvore preservada, o brasileiro tem que mudar até a atitude em relação ao automóvel, pois a expansão das plantações de matéria-prima para produção de etanol pode chegar a afetar a floresta.
“O mundo tem que ser tratado como um condomínio. O vizinho tem que respeitar o outro vizinho. Não pode tocar fogo nos móveis. Não pode deixar torneira aberta, tem que respeitar. Da mesma forma, um país tem que respeitar a soberania dos outros. Tem que respeitar os vizinhos.”
Cristovam mostrou ao repórter um vídeo exibido pela TV Senado em que ele responde a uma pergunta sobre a proposta de internacionalização da Amazônia. No vídeo, o senador diz que se todas as coisas importantes para a humanidade devem ser internacionalizadas, deve-se internacionalizar os arsenais nucleares, os poços de petróleo de todo o mundo, os museus, entre outros.
“Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, tudo bem, então internacionalizemos todos os arsenaisnucleares dos Estados Unidos, pois eles, os americanos, já mostraram que são capazes de usar essas bombas nucleares, provocando a destruição milhares de vezes maior do que as queimadas das florestas do Brasil” acrescentou.







