Bush pede liberação da 2ª parte do pacote de US$ 700 bi

Em: 13 de janeiro de 2009
O presidente americano, George W. Bush, pediu ao Congresso que libere os US$ 350 bilhões restantes do Tarp (Programa para Alívio de Ativos Problemáticos), o pacote de US$ 700 bilhões aprovado em outubro
O presidente americano, George W. Bush, pediu ao Congresso que libere os US$ 350 bilhões restantes do Tarp (Programa para Alívio de Ativos Problemáticos), o pacote de US$ 700 bilhões aprovado em outubro

O presidente americano, George W. Bush, pediu ao Congresso que libere os US$ 350 bilhões restantes do Tarp (Programa para Alívio de Ativos Problemáticos), o pacote de US$ 700 bilhões aprovado em outubro do ano passado para resgatar empresas do setor bancário, informou a porta-voz da Casa Branca, Dana Perino.
Segundo ela, Bush fez o pedido por solicitação do presidente eleito dos EUA, Barack Obama, que assume o cargo dia 20. A porta-voz informou que a Casa Branca continuará trabalhando com a equipe de transição de Obama e com o Congresso numa forma de viabilizar mais rapidamente a liberação dos recursos.
“Eu disse a ele que se ele acha que os US$ 350 bilhões são necessários, eu os pedirei ainda durante minha gestão’’, afirmou Bush, em uma coletiva realizada ontem. O jornal americano “The Washington Post’’ havia informado na sexta-feira que Obama criticou o Tarp e sinalizou mudanças na medida. Segundo o diário, Timothy Geithner, nomeado para o Departamento do Tesouro na gestão Obama, além de conselheiros como Lawrence Summers, têm trabalhado para modificar o pacote de ajuda de modo a beneficiar também municípios, pequenas empresas e consumidores.
Da primeira parte do montante dos US$ 700 bilhões, US$ 250 bilhões foram utilizados para comprar ações em bancos como forma de reforçar seus balanços e permitir que pudessem retomar o fluxo normal de concessões de empréstimos -o que já marcava um desvio em relação à finalidade original do pacote: resgatar empresas do setor bancário com problemas ligados a papéis “podres’’ (com alto risco de calote).
No dia 12 de novembro, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, anunciou outra mudança: o governo pretendia injetar o dinheiro em empresas fora do setor bancário, como companhias de cartões de crédito e de financiamento automobilístico e estudantil.
No mês passado, o governo americano ampliou mais uma vez o alcance da ajuda, oferecendo um empréstimo de até US$ 17.4 bilhões ao setor automobilístico.
Nos últimos dias, Barack Obama prometeu um plano de resgate da economia de até US$ 800 bilhões para concentrar esforços na criação de ao menos três milhões de empregos. Na quinta-feira, o presidente prometeu um corte de US$ 1.000 em impostos para 95% das famílias de trabalhadores de classe média americanos. Obama também prometeu dobrar a produção de energias alternativas nos três próximos anos e melhorar a eficiência energética em dois milhões de lares.

Obama vai herdar ameaças de ataques

O presidente americano, George W. Bush, disse ainda que seu sucessor, o democrata Barack Obama, herdará a constante ameaça de um ataque terrorista contra os EUA.
“As apostas são altas. Há um inimigo que ainda está aí e que gostaria de atacar os americanos de novo”, disse Bush, em sua última entrevista coletiva antes de deixar a Casa Branca. “Gostaria de dizer que isso não acontece, mas ainda há inimigos que querem nos atacar. Esta é a realidade do mundo e eu desejo o melhor a ele”, disse Bush, que listou o Irã e a Coreia do Norte entre os inimigos dos EUA.
O presidente, bem humorado, brincou inúmeras vezes com os repórteres, lembrou que Obama terá que enfrentar como prioridade em segurança nacional as negociações sobre a desnuclearização da Coreia do Norte que, após um ano de promessas e ameaças dos dois lados, parece não ter avançado. “Há uma discussão na comunidade sobre qual o tamanho do problema que eles representam. Eu acho que eles mantêm um programa de enriquecimento de urânio e, por isso, é importante criar um programa forte de verificação”, disse Bush.
O republicano pediu ainda que Obama avance nas relações com o país comunista e faça Pyongyang cumprir a promessa de garantir ampla verificação de suas instalações nucleares. “Eles ainda são perigosos”. Bush falou também dos confrontos em Gaza que, em seu 17º dia consecutivo, deixaram ao menos 890 palestinos mortos. Defendendo a postura americana pró-Israel, Bush pediu um cessar-fogo durável que, segundo ele, significa que “o Hamas pare de atirar foguetes contra Israel”.
“A escolha (por um cessar-fogo) é do Hamas”, disse Bush, acrescentando que cabe ao Egito interromper o contrabando de armas de seu território para Gaza, o que permite que o Hamas se arme e lance foguetes contra Israel.
“Israel tem o direito de se defender, mas claro que, nestes casos, preferiria que não houvesse vítimas civis e que eles ajudassem levar mais ajuda humanitária”, concluiu Bush, que disse ter avançado durante seu governo nas negociações de paz entre israelenses e palestinos.
Questionado inúmeras vezes sobre as duras críticas que recebeu durante seu governo, Bush disse que a maioria das pessoas com quem se encontra não estão “bravas e hostis”. “As pessoas que ficam bravos, gritam, dizem coisas ruins são poucas. Não sei porque elas ficam bravas e hostis”, disse o republicano, que deixa a Casa Branca como um dos presidentes mais impopulares dos EUA.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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