Cadeia do aço aposta no distribuidor contra importação

Em: 26 de julho de 2010
Expostas ao insumo internacional, que segura preços no mercado interno, a saída das siderúrgicas é apostar na fidelidade de distribuidores
Expostas ao insumo internacional, que segura preços no mercado interno, a saída das siderúrgicas é apostar na fidelidade de distribuidores

O Brasil produziu 2,9 milhões de toneladas de aço em junho, 47% acima de junho de 2009. Apesar disso, as importações continuam em escalada e já somaram US$ 2,2 bilhões no primeiro semestre, o que representa crescimento de 86% sobre o mesmo intervalo do ano passado. As informações são do Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior).
Expostas ao insumo internacional, que segura preços no mercado interno, a saída das siderúrgicas é apostar na fidelidade de distribuidores. Recentemente, a Usiminas comunicou ao mercado que fechou contratos com distribuidores, transformadores e centros de serviços visando criar a Rede Usiminas. O objetivo é distribuir produtos em 15 estados.
A iniciativa é uma estratégia para manter posição diante do volume crescente de importações de aço. Segundo a Usiminas, a rede garante competitividade da empresa e oferece ao cliente final o melhor valor na concorrência com o aço importado.
No entendimento do gerente nacional de vendas da Açotubo, uma das maiores distribuidoras de tubos e aços do mercado, Antônio Luiz Abbud, as alianças com fornecedores locais de aço são necessárias em uma época em que é farta a entrada de aço importado. “O mercado nacional está recebendo muito aço chinês, italiano e russo”, disse Abbud. Segundo ele, está importação está regulando o preço e exigindo um novo posicionamento das siderúrgicas brasileiras.
A formação de redes de distribuição ou os contratos de exclusividade, como acontece com a Açotubo, que só trabalha com a Gerdau e com a Mannesmann Valorec (V&M), dificulta a expansão dos aços importados em território brasileiro. “É claro que um contrato de exclusividade exige uma contrapartida da siderúrgica, que nos dá um preço melhor do que o praticado livremente no mercado”, salientou.
O crescimento da vulnerabilidade das usinas siderúrgicas nacionais vem exigindo que estas se aproximem dos distribuidores. “A tendência é de equiparação do mercado nacional com o preço dos importados”, avaliou o gerente da Açotubo.
A Açotubo prevê ampliação de 30% na comercialização de sua linha de aços para este ano, foco que corresponde a 40% dos negócios da companhia. O gerente nacional de Vendas explica que a empresa está otimista, pois vê uma ampliação dos negócios, inclusive com o fornecimento de barras de aço e peças para a Petrobras.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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