Luxuosos ou não, os cafés regionais continuam sendo uma boa pedida em Manaus. Agregam um público diferenciado, servindo de encontro para um bom papo. E quem não gosta de degustar aquelas iguarias à base de insumos regionais?
Mesmo com preços salgados (claro, depende do poder aquisitivo), os locais se mantêm atrativos, principalmente para os mais aquinhoados. Paralelamente, se desenvolve uma rede de estabelecimentos mais acessíveis, voltados para a população de baixa renda. E existem até os de beira de esquina, em qualquer rua, oferecendo os mesmos itens encontrados nos ambientes mais sofisticados.
O mercado movimenta uma rede de lojas altamente aprimoradas, reunindo públicos que se afinizam com cada opção e gostos, onde permeia ainda a questão econômica. Um X-Caboquinho vendido por R$ 30 ou até mais em pontos diferenciados, pode ser encontrado por menos de R$ 10 nos cafés de beira de calçada ou esquina.
“Claro, é importante estar em um bom ambiente, que representa mais cuidados com a limpeza, higiene, mas em geral o preço sai caro para o cliente”, diz o advogado Erlison Devires, que todo dia toma café da manhã na área da João Valério, no Vieiralves, antes de começar a trabalhar em seu escritório. “O importante é desfrutar do melhor que o dinheiro pode pagar”, avalia ele.
Se o negócio é uma boa acolhida, com suposta preocupação também com a higiene, as banquinhas de cafés regionais não deixam a desejar. Para ganhar mais credibilidade, vendedores se vestem com uniformes brancos, toucas e outros apetrechos que simbolizam higienização para receber os consumidores, como determinam os órgãos de controle de fiscalização de comidas rápidas.
“Na realidade, os cafés regionais sofisticados cobram caro pelo ambiente climatizado, pela maior segurança, mas os produtos também podem ser encontrados nos cantinhos das calçadas, que não deixam nada a desejar”, diz o estudante de jornalismo Olavo Silva, que quebra o desjejum toda manhã em uma banquinha no Centro de Manaus, para em seguida assistir às aulas na faculdade.
Auge
Óbvio, os cafés regionais já se tiveram os seus momentos de auge na capital. Mas a elitização afastou boa parte do público, recebendo os mais endinheirados. Praticamente, toda a zona centro-sul da cidade abriga ambientes luxuosos, com acesso a pessoas mais exigentes, com grande poder aquisitivo.
“Aqui, pode-se comer tranquilo em um ambiente sofisticado que prima pela qualidade dos produtos e pela higienização caprichada”, diz a engenheira aposentada Drica Ramirez, que, pelo rigor nas vestes e o linguajar bem elaborado, sinaliza receber uma pensão gorda, e também por morar em uma região considerada o metro quadrado mais caro de Manaus, o Vieiralves. “O importante é ter segurança”, afirma.
As cafeterias, também altamente sofisticadas e luxuosas, são outros locais muito frequentados pela classe média alta. Neles, o café se transforma em diversas opções de gosto, como acontece nos grandes centros urbanos nacionais e até internacionais.
Novos ingredientes são utilizados para alavancar negócios que movimentam, hoje, milhões de reais por mês, motivando a atração de novos investimentos, tanto em shoppings como em estabelecimentos exclusivos para degustar iguarias que são derivadas do café.
“É saborear aquele café capuccino com chantilly, gelado ou quente, tendo uma boa companhia. São muitas opções para os clientes, além de salgados, doces, em um ambiente bem climatizado e seguro”, afirma Dina Lima, economista, frequentadora assídua de uma cafeteria em Adrianópolis.
Coordenada 1
Sobrevivência de muitos
Enquanto a população de maior poder aquisitivo se mantém fiel aos ambientes mais sofisticados e luxuosos, os cafés de beira de esquina representam, hoje, a sobrevivência de grande parte das pessoas menos favorecidas economicamente.
A prefeitura de Manaus tem procurado reorganizar o mercado para dar maior segurança ao público consumidor, segundo o órgão municipal que fiscaliza o setor. Em qualquer caçada, existe uma grande rede de vendedores ambulantes, quebrando o desjejum do pessoal que se desloca bem cedo para ir ao trabalho.
“Servimos desde o popular ovo com pão, acompanhado de café com leite, tapioca com tucumã, queijo coalho e banana frita, até os mais variados sanduíches, como o X-Caboquinho. Seguimos a tendência dos clientes, mas em geral eles preferem o café com pão e ovo”, diz a vendedora Ozilda Marlisan, que tem uma banca na Carvalho Leal, próxima da panificadora Cíntia, que é sua concorrente direta.“Se o cliente gosta, com certeza ele vai voltar para tomar o café, que também pode vir acompanhado de batata-doce, cará, dependendo da preferência”, acrescenta ela.















