Sempre reclamei da falta de respeito do nosso povo em relação à história, tanto do país quanto do nosso Estado. Poucos são aqueles da geração mais nova que sabem a verdadeira história da Zona Franca de Manaus, que gerou este Polo Industrial que mantém aos “trancos e barrancos” nos tempos atuais esta terra que tem tantas opções potenciais e não explora nenhuma.
Desde 1967 quando Castelo Branco criou a nossa Zona Franca, em mais um período conturbado da política e da economia brasileira, as coisas foram correndo fora do controle dos interesses locais. Em primeiro lugar a invenção da exigência do capital nacional como parte das empresas, com a desculpa de defender os interesses brasileiros na Amazônia. Na verdade esta jogada comercial defendia apenas os interesses dos empresários paulistas, únicos na época em condições a se associar aos estrangeiros para montar as fábricas pré-montadas em nosso polo.
Somente dois amazonenses tiveram condições e coragem de enfrentar esta máfia e montar suas empresas visando os interesses locais e com suas próprias metas e seus modelos sem importar tudo empacotado. Um deles foi José dos Santos da Silva Azevedo, mais conhecido como o “Seu Azevedo”, que iniciou com uma oficina de assistência técnica para televisões e foi crescendo ao ponto de montar a fábrica da Yamaha e o Grupo TV LAR.
Mais importante que sua história empresarial que por si só já é motivo de várias análises e muitos elogios, torna-se fundamental enaltecer a atitude que este gigante assumiu em relação à nossa terra e ao modelo de nossa indústria e comércio, lutando mais que os políticos e figurões que deveriam fazê-lo. Era um português de nascimento que assumiu o Amazonas com seu coração e queria mais que ninguém o sucesso daqui. Foi um pai exemplar e deixou com seus filhos a tarefa de levar adiante a missão iniciada por ele e que certamente será muito bem administrada.
Não fico muito à vontade de fazer elogios às pessoas após seu falecimento porém no caso do Sr. Azevedo sempre o fiz em vida e sempre o admirei e jamais deixei de expressar esta admiração a ele e a seus filhos enquanto estava vivo.
O que me preocupa muito com sua viagem para outro nível, certamente ao lado de Deus, é o fato de nosso modelo econômico que está tão combalido e sofrendo cada vez mais os ataques dos inimigos sulistas ter ficado mais fraco sem a força e determinação que ele representava para a nossa economia.
É muito triste analisar certos aspectos de nossa região, incluindo a criação da Zona Franca como condição de sobrevivência, quando temos uma das áreas mais ricas talvez do planeta.
No entanto além do que já nos roubaram e continuam roubando, temos um povo que se encanta com as belezas dos outros povos e esquece suas próprias belezas. Na época da borracha quando chegamos a ser o centro econômico e cultural do Brasil, esquecem hoje os políticos e o povo em geral que foi o Amazonas que bancou a dívida que nosso país tinha com a Alemanha e era cobrada com ameaças.
Hoje, além dos potenciais locais para desenvolver atividades turísticas sempre travadas sob supostas alegações de ameaças ao meio ambiente ou soberania nacional, temos nossas riquezas sendo contrabandeadas de maneira asquerosa à luz da impunidade como é o caso do Nióbio, que sai de nosso país misturado a outros minerais, principalmente a cassiterita.
Ninguém, absolutamente ninguém toma qualquer atitude para impedir este roubo descarado de uma riqueza que se fosse explorada de forma legal poderia através dos impostos trazer de volta com certeza absoluta muito da era de riqueza que esta terra já teve.
Certamente a espera é de que nosso país saia do círculo vicioso de corrupção e de falta de civilidade em que se afundou nos últimos vinte anos.
A questão que fica é saber quem em nosso estado vai assumir a defesa da nossa riqueza e dos nossos direitos para impedir o que está sendo roubado e recuperar pelo menos parte do que já nos foi espoliado.
Afinal, com a morte do Sr. Azevedo mais que um ser humano, CAIU UM PILAR que sustentava esta terra.







