As cadernetas de poupança tiveram saldo positivo de R$ 105 bilhões em novembro, de acordo com levantamento feito pela Caixa Econômica em nível nacional. Esse foi o sexto mês seguido em que os depósitos superaram os saques, o que tornou a aplicação um dos melhores investimentos populares. No Amazonas, a Caixa Econômica Federal anunciou a captação de R$ 859,8 milhões nessa modalidade entre janeiro e outubro, crescimento de 10,67% em relação aos dez primeiros meses de 2008, quando R$ 776,9 milhões foram aplicados no Estado, o que fez a instituição fechar com 44% do saldo total de poupança existentes no Amazonas.
No entendimento da presidente da Caixa, Maria Fernanda Ramos Coelho, o que torna a poupança atrativa, além de itens como tradição e segurança, é a remuneração dos saldos (composto pela Taxa Referencial, acrescida de 6% ao ano) que não sofre tributação. A executiva acrescentou que, neste ano, o número de contas no Amazonas superou as expectativas, já que foram abertas 23 mil novas cadernetas, passando para 356.387 contas em outubro ou 7,19% a mais que o ano passado. “A atratividade da aplicação está principalmente na facilidade de acesso e nos benefícios que oferece. O produto é isento de tarifa de manutenção e não possui valor mínimo para sua abertura. São aceitos depósitos em qualquer dia do mês e não há incidência de IRPF [Imposto de Renda para Pessoa Física]”, destacou.
Sobre os recursos da poupança destinados à aquisição da casa própria, Maria Fernanda Coelho disse que este ano pode ser considerado como um dos melhores na história dos investimentos em habitação. De fato, os números da Caixa são bem otimistas, já que, segundo a presidente da instituição, somente com recursos da carteira de poupança, o banco já emprestou neste ano R$ 126 milhões no Esado, dentro da modalidade Carta de Crédito SBPE (Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo). O volume emprestado foi o suficiente para atender mais de 1.282 famílias, beneficiando mais de 5.000 pessoas, de acordo com a executiva. “A poupança, além de ser uma aplicação acessível a qualquer pessoa e porto seguro para quem diversifica seus investimentos, representa importante fonte de recursos para habitação no Amazonas”, completou.
Limite de renda
As cartas de créditos da SBPE são destinadas à aquisição de imóvel ou de lote urbanizado residencial ou comercial. Os recursos são oferecidos dentro ou fora do âmbito do Sistema Financeiro Habitacional e não é exigido limite de renda mensal familiar.
O empreendedor João Eleudário Martins foi um desses amazonenses que decidiram pela poupança este ano. Desempregado até maio, por conta da instabilidade econômica, Eleudário recebeu o seguro-desemprego e não teve dúvidas em aplicar boa parte do dinheiro na poupança, visando atuar em um novo ramo, floricultura. “Investia pensando no curto prazo, o que hoje acho um erro. Toda vez que perdia dinheiro com o novo negócio, corria atrás da poupança. Ora recuperava um pouco, ora perdia mais. Era uma bagunça. Ninguém gosta de perder muito dinheiro. A sensação é de estar sem chão, fica um trauma. Você perde um pouco aqui, mais um pouco ali. Chega uma hora que sente que precisa parar e deixar o dinheiro repousando”, explicou.
Economista destaca vantagens das cadernetas sobre outras aplicações
Em nota encaminhada ao Jornal do Commercio, o professor doutor pela Faculdade de Economia da USP (Universidade de São Paulo) e também diretor do Instituto de Pesquisa Fractal, Celso Cláudio Grisi, apontou dois fortes motivos para se poupar mais. “Entre médio e longo prazo, não devemos ter desestabilização da moeda”, assinalou. Além disso, assegurou o especialista, entre os mercados financeiros emergentes, o brasileiro é o que teria mais potencial de crescimento. “Mesmo que ocorra algum problema do ponto de vista institucional, o máximo que deve acontecer é uma redução na taxa de crescimento do país”, salientou Celso Cláudio Grisi.
“Investimento interessante”
O segundo motivo, segundo o economista é que, no longo prazo, a poupança seria sempre “um investimento interessante”, por ter garantia de segurança e rentabilidade certa. Segundo o especialista, entre correr o risco de não lucrar quase nada com o CDB, o melhor é ter a certeza de algum lucro com a poupança. “Acredito que a poupança é o investimento ideal para quem tem até R$ 5.000. Se você for colocar um valor como este ou menor no fundo de renda fixa, a rentabilidade é bem pequena por causa da taxa de administração”, justificou.
De acordo com o Banco Central, além da captação positiva, as cadernetas existentes em todo o país também tiveram rendimento de R$ 1,48 bilhão. Dessa forma, os brasileiros acumularam R$ 302,451 bilhões em suas contas em 30 de outubro. Apesar da crise, o desempenho dos dez primeiros meses deste ano foi 72,3% maior que o registrado em igual período de 2008, momento em que a captação atingiu R$ 9,73 bilhões. Ainda conforme o Banco Central, o valor de janeiro a outubro de 2009 é comparável ao resultado de todo o ano passado, que terminou com captação positiva de R$ 17,75 bilhões.







