Calcário agrícola tem projeto via PPP

Em: 19 de fevereiro de 2013
Amazonas pode produzir mineral beneficiado por meio de parceria público privada com o grupo Itautinga
Amazonas pode produzir mineral beneficiado por meio de parceria público privada com o grupo Itautinga

O Amazonas pode se tornar autossuficiente na produção e comercialização de
calcário agrícola. O primeiro passo foi dado na última sexta-feira (14), quando o diretor executivo da Itautinga, Marcílio Brotherhood e o gerente-geral da Nassau (que integra o grupo Itautinga), José Emílio, apresentaram a representantes do Governo do Estado proposta de Parceria Público Privada para a exploração, processamento e fornecimento do minério, utilizado na correção do solo para agricultura, produção de alimentos e reflorestamento.
Estavam presentes na Mina de Jatapu, no município de Urucará, o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Sinésio Campos (PT); secretários de Planejamento (Seplan), Airton Claudino; Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos (Semgr), Daniel Nava; Agência de Desenvolvimento Sustentável (ADS), Valdelino Cavalcante; diretor do Instituto de Proteção Ambiental (Ipaam), Antonio Stroski e o chefe do Centro de Unidade de Conservação (CUC) da Secretaria de Desenvolvimento Sustentável (SDS), Rafael Gonçalves.
De acordo com José Emílio, a empresa começou a explorar, em 1989, minérios como o calcário calcítico, ferro, gipcita e argila, em Jatapu, para a produção de cimento a partir da fábrica em Manaus. Mas a matéria prima principal (calcário) está se esgotando e, abaixo dela, a companhia descobriu, com ajuda de técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) uma jazida de calcário dolomítico ou calcário agrícola.
O Amazonas importa 100% do produto de outros estados, como o Ceará, por exemplo. Em muitos casos o adubo é vendido a R$ 80, no Estado produtor, e, por conta da logística de transporte e cobrança de impostos, chega aos compradores amazonenses a R$ 400. Com a produção no Estado, segundo o secretário da ADS, Valdelino Cavalcante, além de preço reduzido, vai criar diversos benefícios, como a recuperação de pastagens, produção de alimentos e o reflorestamento. “Hoje, por conta do grande custo desse produto, os agricultores fazem queimadas para correção do solo”, disse.
O diretor executivo da Itautinga, companhia do grupo Nassau, Marcílio Brotherhood, garantiu que a empresa tem interesse em explorar o calcário agrícola, mas para isso precisa construir a infraestrtura rodoviária para o escoamento da produção até Manaus. Ele propôs a construção de uma estrada de 102 quilômetros, que vai ligar a Mina de Jatapu a Vila de Balbina, no município de Presidente Figueiredo (à 107 quilômetros). “Temos levantamentos técnicos bem balizados que nos garante a melhor forma de produzir, escoar a um preço atrativo”, disse.
O deputado Sinésio Campos disse que, antes de reunir com os diretores da companhia, recebeu do governador Omar Aziz o interesse do governo do Amazonas em realizar a PPA. “A partir de agora vamos levantar todos os custos e os detalhamentos ambientais para apresentar o projeto ao governador. Uma coisa é certa: as questões sociais e econômicas são muito fortes e não podemos nos prender a burocracias administrativas”, disse o petista, que também é presidente da Comissão de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos da Assembléia Legislativa.
No encontro ficou acertada uma nova rodada de reunião para o dia 27 de fevereiro, às 14h, na sala da Comissão de Mineração, com a participação de prefeitos e vereadores dos municípios de Urucará, São Sebastião do Uatumã, Itapiranga e Presidente Figueiredo, que fazem parte da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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