Para ajudar o consumidor a se livrar das dívidas, o Banco Central lançou hoje um serviço onde é possível simular o custo de várias modalidades de crédito e escolher a linha mais barata para quitar os débitos.
O foco são devedores de cartões de crédito, linha que tem taxas de juros elevadas e muita vezes acaba deixando o cliente refém de uma dívida que cresce numa velocidade mais rápida do que a capacidade de pagamento.
O serviço cartão de crédito foi incluído na Calculadora do Cidadão e está disponível no site do BC na internet e também em versões para aparelhos celulares e tablets.
A pessoa deve informar o saldo devedor do cartão de crédito e a taxa de juros, dados disponíveis na fatura. Além disso, é preciso dizer quanto poderá pagar do valor total da fatura.
A partir daí, a calculadora apresentará quanto tempo a pessoa demorará para quitar integralmente o saldo devedor, considerando que a parcela será paga mensalmente e não haverá novo uso do cartão.
Mostrará também quanto ele terá desembolsado no final e fará uma comparação do prazo e dos valores com outras linhas como crédito pessoal, crédito consignado e cheque especial. Para isso, a calculadora considera a taxa média de juros praticada pelos bancos.
Num exemplo hipotético, uma pessoa que deve R$ 2.000 num cartão de crédito que cobra uma taxa de 8% ao mês e só pode pagar R$ 300 por mês, levará nove meses para quitar a dívida. No final desse período, terá desembolsado, R$ 2.656. Se conseguir tomar um crédito consignado, a uma taxa média de 1,83% ao mês, poderá se livrar em sete meses do débito e pagará no total R$ 2.111.
Já se optar por uma operação de crédito pessoal, com custo de 5,12% ao mês, pagará R$ 2.359 e demorará oito meses para quitar tudo.
O uso do cheque especial nesse caso não é vantagem. O valor final da dívida chegará a R$ 2.619, considerando uma taxa de 7,69% ao mês e o tempo será praticamente o mesmo de se financiar com o cartão: 8,7 parcelas.
Segundo Marcelo de Aragão, técnico do Departamento de Tecnologia do BC, a simulação dará uma referência para o consumidor. “É importante que ele veja também se tem algum outro custo envolvido, como uma taxa de cadastro para tomar um crédito e somar isso ao valor total para fazer comparação”, ressaltou o técnico.
Pagamentos móveis ajudarão a reduzir tarifas
A criação de novos instrumentos de pagamentos -como movimentação de recursos via celular, moedeiros eletrônicos e cartões pré-pagos -irá ajudar a reduzir o custo do crédito e das tarifas bancárias no país, segundo o diretor de Política Monetária do Banco Central, Aldo Mendes.
Na saída do 5° Fórum sobre inclusão financeira, que acontece em Fortaleza, ele destacou que a atuação do BC, a quem caberá a fiscalização e edição de normas desse novo sistema, será pautada pelo estímulo à concorrência, aumento da oferta e redução do custo.
“Temos um mercado que está nascendo com normas que estão nascendo juntos”, disse, destacando que isso torna mais fácil para o legislador induzir a concorrência.
Com isso, na avaliação dele, ao contrário do sistema bancário, “que existe há séculos”, o BC terá mais condições de “estabelecer um mercado que estimule oferta”.
Com foco na inclusão de pessoas de menor renda que não tem conta em banco, os novos instrumentos de pagamento permitirão aos bancos, num primeiro momento, incluir no sistema financeiro clientes que hoje recebem e fazem pagamentos com dinheiro vivo.
A expectativa é que futuramente, a educação financeira dessas pessoas as tornem potenciais tomadores de crédito também junto ao sistema bancário. A expectativa do BC é que com mais oferta de produtos e serviço e disputa pela nova clientela, os preços tendem a cair.







