Camaleão

Em: 7 de agosto de 2014
encerra turnê em Manaus
encerra turnê em Manaus

Como todo bom mineiro, eles chegam em silêncio a Manaus, mas prometem fazer um estardalhaço com seu mais novo espetáculo, “Retina”, em comemoração aos 30 anos de existência do grupo. Trata-se do Camaleão Grupo de Dança, de Belo Horizonte, que iniciou a turnê na capital mineira e segue por Mossoró, Natal e São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, dias 8, 10 e 12; João Pessoa, na Paraíba, dia 14; e encerra em Manaus, no dia 17, domingo, no Teatro Amazonas.
O Camaleão é uma companhia que já possui em seu repertório 14 montagens assinadas por 11 destacados profissionais nacionais e internacionais, entre eles Carlota Portela, Mário Nascimento, Luís Arrieta, Tindaro Silvano e Tuca Pinheiro.
Em parceria com a escola de danças Núcleo Artístico, criada em Belo Horizonte em 1978, desde 1984 participa, incentiva, cria e divulga a dança. Por isso, é uma das companhias representativas do país por seu aspecto plural. “O Camaleão transforma o pensamento e a dança ao longo dos anos investindo em novos caminhos, novas possibilidades de pesquisa e criação, aprimorando constantemente a qualidade de suas produções”, falou Marjorie Ann Quast, diretora-geral do grupo.
A coreografia de “Retina” é o 14º trabalho do grupo e a 2ª parceria com o premiado Jorge Garcia (a primeira foi em 2007 com “Tá Passando”). “Moro aqui em São Paulo, mas pela segunda vez o Camaleão me convidou para fazer a coreografia de mais um espetáculo. São cinco bailarinos, duas mulheres e três homens, cada um com sua técnica própria, dando continuidade ao que o Camaleão sempre se propôs nesses 30 anos de existência que é inovar a cada apresentação”, falou Jorge Garcia.

Queriam viver intensamente
As músicas de cinco ídolos, que marcaram a geração a que pertenceram e, curiosamente, morreram com a mesma idade, 27 anos, fazem o pano de fundo de “Retina”: Janis Joplin, Jimi Hendrix, Jim Morrison, Kurt Cobain e Amy Winehouse, todos marcados pelo excesso e a transgressão. A trilha sonora é assinada por Kiko Klaus. “A ideia foi criar-se um ambiente urbano no qual os movimentos da dança de rua se misturam à dança contemporânea”, disse Jorge Garcia. “Esses astros da música pop, apesar de terem morrido cedo, pelo uso abusivo de drogas, talvez tivessem uma vontade de viver muito grande, por isso seus escessos. Queriam viver a vida intensamente, mas isso tem um preço”, completou.
Já a coreografia, parte de questões sobre a capacidade humana de reter informações visuais e o excesso de informações. “Partimos desse aspecto subjetivo para perceber o quanto nos rendemos a esse excesso de informações: quem seguimos, quais comportamentos nos influenciam, enfim, tudo que nos afeta ao redor. Então, chegamos à retina, a parte do olho onde se formam as imagens, esse filtro em que o claro e escuro, sombra e luz se misturam”, comentou Marjorie. “O homem contemporâneo não cessa de consumir imagens, seu olhar acolhe mais que a sua capacidade de refletir sobre elas. Nessa obra, cada olhar refletido questiona o estatuto da realidade”, finalizou Jorge.
“Retina” conquistou as categorias de Melhor Espetáculo, Melhor Iluminação, Melhor Cenografia e Melhor Trilha Sonora no 1º Prêmio Copasa/SINPARC de Artes Cênicas MG – 2013. É ainda a primeira montagem inédita desde “Horas Possíveis – Enquanto O Lobo Não Vem…”, de 2011, de Chico Pelúcio e Lydia Del Picchia (ambos do G rupo Galpão), espetáculo de rua que segue em repertório nas comemorações dos 30 anos do grupo.
O espetáculo tem patrocínio do Banco Volkswagen e Veminas Caminhões e Ônibus e o apoio cultural do Instituto Unimed BH. A circulação foi contemplada com o Prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna 2013.
Os ingressos para assistir “Retina” podem ser retirados na bilheteria do Teatro duas horas antes do dia de cada apresentação mediante a doação de alimentos não-perecíveis (destinados ao Programa Mesa Brasil Sesc).

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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