A Câmara Municipal de Manaus aprovou, ontem, a instauração de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para apurar a aplicação do repasse, pela Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), de R$ 40 milhões ao Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas) para as obras de recuperação e pavimentação do sistema viário do PIM (Pólo Industrial de Manaus).
O requerimento da CPI foi feito pelo presidente da Casa, Leonel Feitoza (PSDB), motivado pelo contrato, sem licitação, da empresa Mosaico Engenharia que, em oito meses ainda não realizou nenhuma das obras previstas. O pedido de CPI também levou em conta as constantes denúncias dos empresários do Pólo Industrial e da imprensa sobre os prejuízos que vêm sendo causados ao setor pela não realização das referidas obras.
“Toda a logística das indústrias existentes no Pólo Industrial de Manaus está comprometida. A superintendente da Suframa, Flávia Grosso, afirma que a verba foi repassada em dezembro passado e que o trabalho de recuperação das ruas tem que ser cobrado do Cieam. Na CPI também cobraremos os devidos esclarecimentos dos representantes do Cieam para saber onde foram parar os R$ 40 milhões e o porquê da contratação de uma empresa para realizar o serviço, sem licitação”, disse. Feitoza disse temer que a manutenção do quadro caótico das vias do Distrito Industrial possa prejudicar o desenvolvimento econômico do Estado, e que o Amazonas não pode ficar refém dessa situação. Usando a famosa composição do autor amazonense Aldísio Filgueiras, que comparava Manaus a um porto de lenha, Leonel ironizou: “se não resolvermos essa situação, nem porto de lenha poderemos voltar a ser, uma vez que as leis ambientais atuais são extremamente rigorosas”, alfinetou. O presidente da Câmara lembrou também que a existência dos buracos do Distrito, que ele denominou de “crateras, dignas de um bombardeamento de uma guerra”, não está atrapalhando somente as indústrias do Pólo, mas também os moradores dos bairros próximos, que têm que enfrentar no seu dia-a-dia, uma realidade desconfortável. “Para os moradores do Mauazinho e do Puraquequara a situação é critica, pois também sofrem com o transtorno de congestionamentos por culpa das condições das vias”.
Muitos vereadores apoiaram o pedido de instalação de CPI e alguns se pronunciaram em plenário. “Algumas empresas estão fazendo cotas para asfaltar as ruas que dão acesso a suas áreas. Isso é inconcebível. O dinheiro disponibilizado pela Suframa seria suficiente para resolver o problema”, explicou Massami Miki (PSL). O vereador também chamou atenção para uma informação relevante a respeito da empresa contratada para realizar as obras de pavimentação das ruas do PIM. “Ela não tem sequer maquinário para realizar a pavimentação”, disse.
Paulo de Carli (PRTB), que também apoiou a instalação da CPI, revelou que está preocupado com os rumos que a falta de infra-estrutura está provocando para o Estado. Segundo De Carli, o PIM já venceu vários inimigos internos que julgava perigosos, mas está se mostrando incapaz de combater o que ele denominou como seu maior rival: o inimigo íntimo. “Parece que desta vez, nós mesmo encontramos uma forma de aniquilar o modelo Zona Franca. Pois, não fornecemos energia, não damos condições de logísticas e oferecemos um serviço caótico de Internet. Parece que estamos adotando uma tática talibã de nos auto-destruir”, constatou.
Câmara cria CPI dos buracos das ruas do Distrito Industrial
Em: 19 de agosto de 2008
Os vereadores questionaram o porquê da Suframa não ter procurado o executivo municipal para realizar uma parceria para pavimentar o sistema viário do município.
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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