Câmara debate exigência de diploma para jornalistas

Em: 4 de agosto de 2008
Para o professor Gilson Monteiro, o manifesto da Fenaj, não trata apenas da melhoria da informação, mas também da defesa dos direitos da categoria que não tem hora para trabalhar.
Para o professor Gilson Monteiro, o manifesto da Fenaj, não trata apenas da melhoria da informação, mas também da defesa dos direitos da categoria que não tem hora para trabalhar.

A campanha de apoio à formação universitária para o exercício legal do jornalismo foi tema da Tribuna Popular realizada ontem, no plenário da Câmara Municipal de Manaus, com a participação do presidente do Sindicato dos Jornalistas do Amazonas, César Wanderley e dos professores Gilson Monteiro e João Bosco, coordenadores do curso de jornalismo da Ufam e Uninilton Lins, respectivamente. O evento atendeu requerimento do vereador Braz Silva (PSDC) e foi dirigido pelo presidente Leonel Feitoza (PSDB).
Na abertura da tribuna, o presidente do sindicato leu o manifesto da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) esclarecendo que a campanha é em defesa do diploma universitário e pela rejeição do Recurso Extraordinário (RE) 511961 no STF (Supremo Tribunal Federal) que deverá ser julgado nos próximos dias. “O diploma de jornalismo, que agora se discute, não constitui uma simples reserva de mercado. Estabelece, isto sim, que o jornalista deve passar pelos bancos da Universidade. Só ali esse agente da informação coletiva pode se qualificar profissionalmente. É onde pode adquirir clara percepção das responsabilidades que tem perante a sociedade”, diz o documento, complementando que “não se trata de defender uma categoria mas, acima de tudo, garantir ao conjunto da sociedade brasileira o direito de ser bem, livre e corretamente informada”.
O presidente Leonel Feitoza lembrou que quando a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) flagra alguém no exercício ilegal da profissão, aciona a Justiça para prender e punir o infrator. A mesma coisa fazem os médicos. “Agora, eu nunca vi uma ação dos jornalistas contra essas pessoas que não são habilitadas e que usam o espaço da mídia para se locupletar. Já presenciei alguns eventos desse tipo nesta casa e é sempre a mesma lengalenga. Nunca vi um jornalista ser punido por exercer a profissão ilegalmente”, disse ele.
Na avaliação do professor Gilson Monteiro, o manifesto da Fenaj, não trata apenas da melhoria da informação, mas também da defesa dos direitos dessa categoria que não tem hora para trabalhar. “Portanto é preciso defender esse mercado. Nós temos cursos de qualidade em Manaus e está é uma profissão que trabalha pelo interesse da sociedade e nós estamos aqui em defesa da informação bem apurada”.
Para o professor João Bosco, não se trata da defesa do diploma, mas sim da boa formação. “O diploma é uma conseqüência”, enfatizou, ressaltando que o jornalista é o defensor das entidades democráticas e que a proposta de abolir o diploma para o exercício da profissão de jornalista é absurda. “O que nós precisamos mesmo é de uma formação com qualidade e ética”. Ele defendeu também a instituição do Conselho Federal dos Jornalistas como forma de melhorar a qualidade do jornalismo no país.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar