A Câmara recebeu na tarde da terça-feira pedido de explicações do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, sobre os motivos que levaram à Mesa Diretora da Casa a barrar a promulgação da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que aumentou em 7.343 o número de vereadores em todo o país.
A resposta à Suprema Corte vai ser elaborada pela Secretaria Geral da Câmara, mas só deve ser oficializada em janeiro. Segundo o secretário-geral da Mesa, Mozart Vianna, o prazo para a Câmara responder o questionamento é de dez dias, mas como o Judiciário está em recesso, o período só passa a contar em fevereiro.
Vianna disse que ainda vai comunicar o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), sobre o comunicado do STF, mas avisa que não terá pressa em elaborar os esclarecimentos. “Vamos trabalhar com calma. Não há porque termos pressa neste momento até porque o assunto é delicado e precisamos de uma boa fundamentação jurídica para esclarecer a decisão da Câmara”, disse Vianna.
O secretário-geral evita comentar a defesa que a Câmara vai sustentar, mas garante que os deputados não questionam a divisão da PEC, mas o fato de que ao separar os conteúdos, o Senado desconstruiu o texto da Câmara, que condicionava o aumento no número de vereadores à redução dos gastos das Câmaras Municipais. “O entendimento da Câmara é de que aquele não é o mesmo texto”, disse Vianna.
O argumento que deve ser sustentado pela Câmara é de que o Senado extrapolou suas atribuições porque apesar de outras PEC já terem sido promulgadas parcialmente, neste caso dos vereadores, a mudança feita pelos senadores no texto foi de mérito.
Quando as PEC que promoveram a reforma da Previdência e reforma Trabalhistas, por exemplo, foram promulgadas com o texto alterado, não havia nenhuma mudança que alterasse o mérito do mesmo artigo. Quando senadores modificaram alguma parte acabaram suprimindo todo o artigo. No caso da PEC dos vereadores, os dois artigos estavam condicionados.
A polêmica em torno da PEC começou na semana passada quando a Mesa Diretora barrou o aumento no número de vereadores aprovado Senado. Na reunião da Mesa, a cúpula da Câmara resolveu por unanimidade, não assinar a proposta. A matéria, que já tinha passado pela Câmara, só precisava da assinatura dos deputados para passar a valer.
Os deputados alegaram que os senadores modificaram substancialmente o texto, ao suprimir o artigo 2 da PEC que diminuía em 0,5% os percentuais das receitas municipais que se pode destinar às Câmaras de Vereadores uma economia de R$ 1,5 bilhão. O advogado-geral do Senado, Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho, ingressou na sexta-feira com um mandado de segurança pedindo que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, concedesse uma liminar obrigando que a Câmara a assinar a PEC.
O documento, de dez páginas, sustenta que ao tomar esta decisão fere a Constituição porque a Câmara não tem o direito de vetar a promulgação de uma PEC, ainda mais tendo sido aprovada de acordo com os ritos tradicionais, em dois turnos pelas duas Casas legislativas. O advogado-geral do Senado alegou que existe entendimento jurídico de que é legal o fato de se promulgar uma parte da PEC e remanejar parte do texto para uma PEC paralela, tal medida ocorreu na análise das reformas do Judiciário e da Previdência, que foram promulgadas parcialmente.
O ministro do STF, Celso de Mello, fez uma análise do caso e disse que a Suprema Corte só se posicionaria depois que a Câmara se manifestasse.
Câmara recebe pedido de explicações do STF
Em: 26 de dezembro de 2008
A resposta à Suprema Corte vai ser elaborada pela Secretaria Geral da Câmara, mas só deve ser oficializada em janeiro
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Veja também

Shopping Manaus ViaNorte terá Santa Missa mensal a partir deste domingo
13 de setembro de 2026


Plínio Valério recebe apoio em caminhada e motociata em Alvarães
13 de setembro de 2026

Em Coari, Loren Lunière participa da ‘caminhada da esperança’ de Lula
13 de setembro de 2026

E-commerce avança 5,1% e varejo enfrenta mais um mês de queda, aponta ICVA
13 de setembro de 2026

Inflação cai 0,32% em agosto, menor taxa em quatro anos
13 de setembro de 2026

Crise institucional prejudica debate eleitoral, avaliam entidades
13 de setembro de 2026

Dino: inquérito aponta desvio de emendas em SP e menciona ligação com o PCC e Frias
13 de setembro de 2026