Câmbio abaixo desanima produtor de soja

Em: 22 de julho de 2010
A valorização da soja no mercado internacional em julho, a menos de dois meses do início do plantio da nova safra no Centro-Oeste, não foi suficiente para animar os produtores a acelerar a compra dos insumos necessários para a formação das lavouras
A valorização da soja no mercado internacional em julho, a menos de dois meses do início do plantio da nova safra no Centro-Oeste, não foi suficiente para animar os produtores a acelerar a compra dos insumos necessários para a formação das lavouras

A valorização da soja no mercado internacional em julho, a menos de dois meses do início do plantio da nova safra no Centro-Oeste, não foi suficiente para animar os produtores a acelerar a compra dos insumos necessários para a formação das lavouras. Num ciclo em que as margens de lucro devem ser menores, qualquer alta de preço seria, em tese, aproveitada para melhorar as relações de troca.
A desvalorização do dólar ante o real, contudo, não melhorou as contas do agricultor e as transações envolvendo fertilizantes, defensivos e outros produtos seguem a passos lentos, segundo algumas cooperativas da região.
O câmbio abaixo de R$ 1,80 é reclamação generalizada. Enquanto na Bolsa de Chicago o contrato março – referência para a safra brasileira – acumula ganho de 6,74% nos últimos 12 meses, o dólar registra perdas na mesma medida: 6,78% no período avaliado, ambos com base no fechamento do dia 20.
“Houve redução no preço de venda em reais e em dólar, então o produtor não está muito animado. Ele olha o mercado todo dia e vai fechando os pacotes de troca aos poucos”, afirmou Hélvio Alberto Fiedler, diretor executivo da Cooperativa Agroindustrial do Centro-Oeste do Brasil (Coabra), que centraliza a compra de insumos para várias cooperativas de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Ele não cita números, mas, em Mato Grosso, maior produtor de soja do país, estimativa da Aprosoja (Associação Brasileira dos Produtores de Soja) indica que 60% dos produtores compraram os insumos necessários à safra. Já a comercialização da soja chegou a 10%, de acordo com o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária).
De acordo com Maria Amélia Tirloni, analista do Imea, fora das trocas por insumos, a soja para entrega em 2011 tem sido vendida a preços entre US$ 15 e US$ 16 a saca em Mato Grosso, dependendo da região.
Em seu mais recente relatório semanal, a consultoria mineira Céleres comentou que os produtores “aguardam por melhores momentos de preços para realizar as vendas ou trocar o produto por fertilizantes e defensivos que serão utilizados na safra 10/11”.
A cautela se justifica. Estimativa da Agroconsult indica que, em 10/11, os custos, mas também as margens de lucro, serão mais baixos por causa da queda dos preços. Na soja, por exemplo, o custo de produção deve recuar entre 5% e 6%, dependendo da região do País. Mas a margem de lucro deve ceder entre 18% e 40%. No milho, a redução dos ganhos deve chegar a 12%.

Redação

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