Câmbio deve inibir crescimento da produção industrial, prevê CNI

Em: 8 de outubro de 2010
Apesar da elevação da estimativa de crescimento do PIB em 2010 para 7,5%, a valorização do câmbio impedirá um crescimento ainda maior da produção industrial, na avaliação do gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco
Apesar da elevação da estimativa de crescimento do PIB em 2010 para 7,5%, a valorização do câmbio impedirá um crescimento ainda maior da produção industrial, na avaliação do gerente-executivo de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco

Apesar da elevação da estimativa de crescimento do PIB em 2010 para 7,5%, a valorização do câmbio impedirá um crescimento ainda maior da produção industrial, na avaliação do gerente-executivo de Política Econômica da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Flávio Castelo Branco. O Informe Conjuntural do terceiro trimestre, divulgado pela entidade, manteve em 12,3% a projeção do crescimento do PIB Industrial este ano. “A economia continua crescendo tendo a demanda doméstica como seu motor principal, mas a produção não tem acompanhado o mesmo ritmo, porque o cambio valorizado faz com que haja um vazamento parcial, mas cada vez mais expressivo, dessa demanda para fora do país, por meio das importações”, avaliou.
Para o economista, a taxa de câmbio, cuja projeção para a média de dezembro foi revisada de R$ 1,79 para R$ 1,70, é a maior vilã para a competitividade da indústria, limitando seu crescimento. “O real valorizado é uma ameaça para o tamanho da indústria na economia brasileira. Se nossa demanda cresce a ritmo chinês, o produto não cresce na mesma proporção porque é inibido pelo câmbio, que prejudica a competitividade das nossas mercadorias”, completou. Segundo Castelo Branco, embora a expansão de 12,3% este ano -se confirmada- seja recorde para a indústria, o crescimento ocorre sobre uma base deprimida de comparação, devido à crise financeira internacional. “Parte do crescimento de dois dígitos é uma devolução da queda de quase 5% do ano passado. É um recorde matemático, mas não é um recorde econômico”, disse.
Castelo Branco também ressaltou que os gastos públicos desaceleraram o ritmo de crescimento, mas ainda continuam expressivos e, por isso, o governo não conseguiria atingir a meta fiscal sem o uso de engenharias financeiras. De acordo com o documento da CNI, o superavit primário em 2010 sem uso de artifícios contábeis deve ficar em 2,35% do PIB, bem abaixo dos 3,3% da meta cheia. “Quando a meta era mais estrita, servia de parâmetro. Mas, com tanta flexibilização, o resultado acaba tendo pouco impacto como referência da política fiscal”, frisou o executivo.

Comércio comemora

Ao contrário dos exportadores, o comércio comemora a trajetória de redução do dólar em relação ao real. Mais do que isso, o fortalecimento da moeda doméstica é apontado pelo setor como um dos fatores para inibir a inflação. “O brasileiro consome tudo o que produzimos aqui e ainda está faltando. Os produtos made in China vão continuar não só no Brasil, mas na Europa e nos Estados Unidos”, estimou o presidente da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), Roque Pellizzaro Júnior. Isso, segundo ele, poderá ser observado no volume de brinquedos importados vendidos para o Dia das Crianças.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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