O bloqueio de rodovias federais em protesto contra o resultado das urnas também aconteceu no Amazonas. Ontem, caminhoneiros impediram a passagem de parte da BR-174 (Manaus/Boa Vista) protestando contra a eleição do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a Presidência da República.
O movimento local segue ações nacionais que atingiram pelo menos 18 Estados do país. Em São Paulo, a Via Dutra, principal corredor de fluidez em direção ao Rio de Janeiro, enfrentou quilômetros de congestionamentos, obrigando muitos transeuntes a seguirem a pé para chegar aos seus destinos.
Segundo a mídia nacional, os manifestantes são apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), inconformados com o desfecho das eleições, turbinando de novo o petista para comandar o Brasil a partir de janeiro do próximo ano.
Fazendo parte do movimento no Estado, o empresário Josué Rodrigues disse que a ideia da categoria é mostrar que está insatisfeita com o resultado das urnas na eleição de domingo (30).
“Nós não aceitamos esses resultados (da eleição). Como é que você vai botar um ladrão para tomar conta da sua casa? Lugar de ladrão é na prisão, a gente quer o Lula preso o resto da vida dele”, disse ele.
O microempresário Alex Bertollo compartilha do mesmo argumento. Disse que o objetivo é conscientizar a população brasileira de que Lula representa um retrocesso para o Brasil.
“Isso vai impactar a vida de todos os brasileiros empreendedores, microempreendedores, caminhoneiros, todos nós. Não estou dizendo que houve fraudes nas eleições, mas é um direito constitucional de haver transparência na contagem dos votos”, criticou. “O voto é secreto, mas a contagem deve ser pública para que não haja dúvidas quanto à lisura do processo”, acrescentou.
A expectativa dos manifestantes é que outras pessoas engrossem o movimento. Segundo a PRF (Polícia Rodoviária Federal), que acompanhou a mobilização na estrada BR-174, uma equipe foi acionada por volta das 10h de ontem para acompanhar o ato.
“O fluxo está normal. Nós fomos acionados somente para monitorar o ato aqui, porque o nosso trabalho é esse, garantir a mobilidade para que não haja obstrução da via e fazer a orientação de trânsito para a segurança de todos”, disse um agente da PRF, que preferiu não se identificar.
O presidente da Rádio e TV Encontro das Águas, Oswaldo Lopes, disse ontem que encontrou a Transamazônica bloqueada por manifestantes. E teve que fazer um desvio para chegar a Humaitá e, em seguida, a Porto Velho (RO), de onde deve vir de avião para Manaus, na madrugada de hoje. “Acionei alguns conhecidos e segui adiante”, contou ele.
André Marsílio, presidente da Associação de Amigos e Defensores da BR-319, confirmou que aproximadamente 20 manifestantes ocuparam, ontem, a estrada, reforçando o movimento nacional.
No entanto, a manifestação não teve tanto impacto. As condições precárias da estrada e a queda de duas pontes tornaram, praticamente, a rodovia intrafegável. Segundo ele, a PRF deverá normalizar a situação até por volta do meio-dia de hoje. “Nós não encampamos o movimento. E aceitamos o resultado das urnas”, disse.
O deputado federal Nereu Crispim (PSD-RS), presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Caminhoneiros Autônomos e Celetistas, disse que o ato é ideológico. “Essas pessoas não representam a categoria”, afirmou. A CNTTL (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Transportes e Logística) se referiu aos atos dos manifestantes como “antidemocráticos” e diz que a pauta da classe é econômica, não política.
Impactos
Ontem, o tráfego de veículos entre Manaus e Boa Vista foi bastante impactado, dando prejuízos a empresas de ônibus de passageiros e outras que transportam cargas entre as duas cidades.
O abastecimento de gás, gasolina e álcool foi muito afetado, inclusive o abastecimento de gêneros alimentícios, entre outros itens de primeira necessidade, segundo comerciantes e empresários consultados pela reportagem.
Em todo o Brasil, os protestos que bloquearam estradas em aproximadamente 18 Estados, nesta segunda-feira, geraram atrasos em entregas e dificultaram a produção de itens como automóveis e laticínios.
Empresários de vários setores pedem a liberação das vias, travadas por atos de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, que rejeitam a vitória de Lula (PT) nas eleições presidenciais.
A Braspress, uma das principais transportadoras de encomendas do país, teve impacto em mais de 60% de suas operações, ontem. Em unidades como as de Itajaí, no Rio de Janeiro, e nos arredores de Florianópolis (SC), os veículos não conseguiram sair, pois havia bloqueios próximos.
Ontem, o Ministério Público deu 24 horas para a PRF explicar as providências contra os caminhoneiros. Sem liderança identificada, os manifestantes pedem golpe e tentam cooptar mais participantes ao movimento.
Por MARCELO PERES
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