Caminhos encontrados na ponta do lápis

Em: 31 de maio de 2023
E cada vez mais pessoas buscam se ver nos desenhos que Márcio faz

Como todo futuro desenhista, Márcio DG Almeida começou fazendo rabiscos pela casa. O passo seguinte é desenhar os heróis das HQs, inspiração dos meninos desde que essa arte surgiu em 1890, em Londres.

“Mas o ‘cara’ que me inspirou mesmo foi o saudoso apresentador Daniel Azulay, no antigo programa da TV Educativa, ‘Turma do Lambe-Lambe’, do início dos anos de 1980, onde ele ensinava a desenhar e fazer brinquedos com papelão e coisas que iam pro lixo. Eu não perdia um programa”, recordou.

Um dia Márcio foi fazer uma entrega na casa do artista plástico Anísio Mello sem saber que lá funcionava o Liceu de Artes Esther Mello e ali se descobriu um quase profissional.

“Meu pai era alfaiate e atendia ao mestre Anísio. Eu tinha uns 19 anos. Fui até lá entregar algo que meu pai mandara para ele quando descobri o Liceu. Pedi para meu pai me colocar lá, para estudar. Já estava com uns dois meses no Liceu quando mestre Anísio pegou um dos meus desenhos e ficou olhando, depois perguntou: “o que você está fazendo aqui? Já sabe muita coisa”. Fiquei pouco tempo estudando no Liceu, mas aprendi muito com o mestre Anísio”, disse.

Adulto, Márcio precisou trabalhar para ajudar no sustento da família. Durante 25 anos trabalhou na Samsung, Panasonic, LG, Digitron, entre outras empresas do Polo Industrial de Manaus, e os desenhos ficaram esquecidos. Foi quando veio a pandemia e tudo mudou.

“Fiquei desempregado em 2018 e mandando currículos que não obtinha resposta. Como sou formado em design gráfico, resolvi investir na minha arte. Durante a pandemia, foquei nisso e tive retorno”, falou.

“Gosto de desenhar a anatomia humana, rosto e busto, mas aceito a encomenda de qualquer tipo de desenho. Uso basicamente lápis e grafite sobre papel Carson”, avisou.

E cada vez mais pessoas buscam se ver nos desenhos que Márcio faz.

“Normalmente tudo acontece de forma virtual. O cliente entra em contato pelas redes sociais, diz o que deseja, eu passo o orçamento. Ele manda a foto e eu faço o trabalho. Ajudo a escolher a melhor foto, dou sugestões inclusive do tamanho. Até hoje ninguém nunca reclamou”, riu.

Quem quiser conhecer melhor os trabalhos de Márcio: Instagram: @marciomarcasdesigner; Face: Márcio DG Almeida; Fone: 9 8200-0160.

O medo atrapalhava

A acreana Andréia B. tão logo aprendeu a segurar o lápis começou a desenhar casinhas e bonecas.

“Minha tia Cléia fazia desenhos femininos, então eu pedi pra ela me ensinar. Ela me mostrou alguns traços. A partir desse conhecimento, desenvolvi a prática”, contou.

E quem disse que apenas meninos se inspiram em heróis da Marvel e da DC?

“Meu primo Dickson era colecionador de HQs, principalmente da Marvel e DC. Escondido dele, eu pegava os gibis para olhar os desenhos, os traços, o estilo dos desenhistas e tentava desenhar, mas eu não queria copiar aqueles desenhos. Eu tentava fazer do meu jeito, uma releitura, diria agora”, assegurou.

“Gostava dos desenhos do Roger Cruz, do Joe Madureira, do Jim Lee. Desenhava e mostrava para minha tia Cléia, que dizia onde eu tinha que melhorar”, lembrou.

Adolescente, Andréia B. fez amigos, que também desenhavam. “Andava com uma pasta cheia de desenhos e gostava de mostrar para esses amigos”, relembrou.

Em 1999, ainda no Acre, Andréia B. conheceu o professor de desenhos Jorfranas.

“Ele me ensinou técnicas de sombra, de ampliação, pinturas em tela, enquadramento na folha de papel, que material usar. Esse professor foi muito importante para o meu aprendizado”, revelou.

Mesmo tendo o ensinamento da tia Cléia e do professor Jorfranas, Andréia B. tinha vergonha de mostrar seus trabalhos para outras pessoas, se limitando a desenhar familiares, e guardar os desenhos. Os próprios familiares diziam que aquilo não dava futuro, o que fez a jovem se tornar mais insegura em deixar aparecer sua arte.

“Somente em 2014, ainda timidamente, comecei a mostrar meus desenhos no meu Face, e continuava estudando em tutoriais no YouTube. Foi quando as pessoas começaram a elogiar minhas publicações e surgiram os primeiros interessados em adquirir meus desenhos”, informou.

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Andreia: “somente em 2014 comecei a mostrar meus desenhos no meu Facebook”

Mesmo assim, o medo de mostrar seu trabalho, atrapalhava a artista.

“Queria me juntar a outros artistas, que conhecia, mas os via em outro patamar, acima do meu, até que um dia, recentemente, criei coragem e resolvi falar com a artista plástica Rosa dos Anjos. Para minha surpresa, ela adorou meus trabalhos. Só então me senti segura”, afirmou.

Hoje Andréia B. consegue aliar ser dona de casa, mãe de dois filhos, ao trabalho como desenhista. Gosta de desenhar rostos, principalmente femininos, herança dos ensinamentos da tia, e lhes dar cor. Sem medo de ser feliz, transformou o hobby num trabalho.

Quem quiser conhecer melhor os trabalhos de Andréia B.: Instagram: @andreia_desenhista; Face: Andreia Batista 357; Fone: 9 8405-4507.     

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Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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