Quando ouvimos falar de cannabis, algumas pessoas associam imediatamente à maconha, erva que é considerada droga ilícita aqui no Brasil pelos seus efeitos alucinógenos. Mas o que talvez ainda não te disseram é que a Cannabis sativa é uma planta usada para fins medicinais há milhares de anos. Essa mesma planta que consegue dividir o mundo, causar polêmicas, arrastar adeptos divergentes, também pode ajudar no tratamento de epilepsia, Parkinson, glaucoma, câncer, esclerose múltipla e outras doenças. E é sobre isso que o pesquisador e médico Linconl Basílio falou, em entrevista ao Trends JC, diretamente dos estúdios do Jornal do Commercio, nesta semana.
E se é tão poderosa, a gente se pergunta: por que há ainda resistência na adesão a tratamentos com a cannabis?
Para o médico pesquisador, a resposta está na falta de informação. “Essa planta chamada cannabis sativa foi tão estigmatizada, ignoramos o potencial terapêutico dessa planta por muito tempo. E, por isso, estamos ainda conhecendo esse potencial agora”, explica, lembrando da planta ópio, que diferentemente da cannabis, hoje se encontra em diversos medicamentos, como o Tramal, Codeína, Morfina e Fentanil, opióides muito usados nas unidades hospitalares. “A cannabis possui uma centena de fitocanabinoides identificados que têm um grande potencial terapêutico. O canabinóide mais estudado é o canabidiol (CBD). Por não apresentar o efeito psicoativo do THC, ele é uma substância menos arriscada para as pesquisas. E o que temos visto é o potencial medicinal incrível dessa substância”, ensina.
Atualmente, o canabidiol já tem sido utilizado de fato no tratamento de pacientes com autismo, em doenças autoimunes como o lupus, artrite reumatóide, esclerose múltipla, em pacientes oncológicos para controle do sintomas que os pacientes têm durante a quimioterapia, como náuseas, vômitos, fadiga e tem sido estudado, inclusive no tratamento de câncer, com resultados positivos e animadores.
Sobre a pesquisa
Dentre os muitos estudos sobre as potencialidades medicinais da planta, o Dr. Linconl Basílio vem pesquisando o efeito terapêutico da cannabis no parkinson. “Já temos um trabalho desenvolvido para publicação que investiga como está sendo o uso e o que já foi descoberto a respeito deste uso. O diagnóstico que temos da pesquisa é que, no Parkinson, os canabinóides têm o seu valor no controle, principalmente, nos sintomas não motores”.
Há ainda um estudo observacional para se conhecer a população no Amazonas e no Brasil dos usuários potenciais da planta. Este estudo deverá integrar ainda a Ufam (Universidade Federal do Amazonas), Universidade da Terceira Idade para definir estratégias laboratoriais para este trabalho científico.
A pesquisa que o médico está desenvolvendo, encontra-se em incubação no Inpa (Instituto de Pesquisas da Amazônia) para desenvolver aplicações e terapias medicinais.


Onde comprar
Anvisa autorizou a venda em farmácia de mais de 20 produtos com canabidiol ou extratos ricos em canabidiol (com menos de 0,2% de THC). Trata-se de um remédio controlado que, para comprar, é preciso uma receita de controle especial. “Ainda é difícil o acesso a este medicamento, mas já é uma vitória. Antes desta decisão, só era possível comprar via importação, passando por processos de controle da Anvisa”, lembrou.
Para que é indicada?

Há vários casos em que a maconha medicinal tem sido indicada, como já explicamos em matérias anteriores, especialmente os listados abaixo:
CBD:
- Epilepsia refratária, quando não há mais resposta ao medicamento;
- Dores crônicas, como as da artrite e da fibromialgia;
- Parkinson;
- Controle de náusea e vômito em pacientes em quimioterapia (podendo ser associado ao THC);
- Alguns quadros ansiedade, depressão, estresse e insônia.
THC:
- Quadros de espasticidade grave (rigidez muscular ou contrações musculares involuntárias) causados por acidente vascular cerebral (AVC) ou esclerose múltipla;
- Glaucoma;
- Controle de náusea e vômito em pacientes em quimioterapia (podendo ser associado ao CBD);
- Falta de apetite em pacientes com HIV.







