Candidatos a governo do Amazonas trocam acusações e apresentam propostas em debate

Em: 29 de setembro de 2026
Foto: Reprodução/TV A Critica

Encontro reuniu cinco candidatos por mais de duas horas, com confrontos sobre saúde, educação, segurança pública e Zona Franca; denúncia sobre o Sisreg e embate entre David Almeida e Maria do Carmo marcaram a noite.

Os candidatos ao Governo do Amazonas Omar Aziz (PSD), David Almeida (Avante), Professora Maria do Carmo (PL), Isael Munduruku (Rede) e Roberto Cidade (União Brasil) protagonizaram, na noite de segunda-feira (28), um debate marcado por acusações, cobranças e apresentação de propostas para o estado. Promovido pela TV A Crítica, em Manaus, o encontro durou mais de duas horas e foi dividido em cinco blocos, com mediação do jornalista Amaral Augusto.

Realizado a menos de uma semana do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, o debate abordou temas como saúde pública, educação, segurança, infraestrutura, geração de emprego e renda, políticas para os povos indígenas e a defesa da Zona Franca de Manaus (ZFM). Os confrontos mais intensos envolveram Omar Aziz e Roberto Cidade, além de David Almeida e Maria do Carmo, que protagonizaram momentos de troca de acusações e ironias.

Omar denuncia furo na fila do Sisreg

Um dos primeiros momentos de tensão ocorreu ainda no primeiro bloco, quando Omar Aziz levou ao debate questionamentos sobre o funcionamento do Sistema de Regulação (Sisreg) e denunciou supostas irregularidades na fila de atendimentos durante a gestão de Roberto Cidade.

A saúde pública foi um dos principais pontos de divergência entre os candidatos. Omar criticou a administração estadual e cobrou explicações sobre o acesso da população a consultas, exames e cirurgias. Cidade, por sua vez, defendeu as ações de seu governo, citando procedimentos realizados e medidas para reduzir o tempo de espera.

O tema voltou a ser discutido em outros momentos do debate, especialmente nos confrontos entre Roberto Cidade e David Almeida. O governador afirmou que a gestão estadual tem avançado na realização de cirurgias, enquanto David questionou os resultados apresentados e levantou suspeitas sobre o direcionamento de atendimentos.

David e Maria do Carmo trocam provocações sobre Fametro e buracos

O embate entre David Almeida e Maria do Carmo foi outro destaque da noite, com provocações que envolveram a infraestrutura de Manaus, a situação das ruas da capital e a Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro), instituição ligada à família da candidata.

Maria do Carmo questionou David sobre as condições da malha viária da capital e mencionou problemas relacionados aos buracos nas ruas, além de citar um acidente de trânsito que resultou na morte de uma mulher grávida. O então prefeito respondeu destacando as ações de recapeamento e tapa-buracos realizadas pela Prefeitura e classificou o episódio como uma fatalidade.

David também direcionou críticas à Fametro e questionou aspectos relacionados à instituição, enquanto Maria rebateu as declarações e acusou o adversário de apresentar informações falsas. As provocações, que misturaram questões administrativas e referências pessoais, provocaram risadas entre os jornalistas que acompanhavam o debate.

As trocas de acusações entre os dois candidatos já haviam começado no primeiro bloco e se estenderam ao longo do encontro, incluindo questionamentos sobre a trajetória empresarial da professora e a atuação de David à frente da Prefeitura de Manaus.

David e Cidade protagonizam acusações

A disputa entre David Almeida e Roberto Cidade ganhou intensidade no terceiro bloco, quando os dois trocaram acusações sobre corrupção, obras públicas e responsabilidades pelas administrações estaduais anteriores.

David afirmou que o governo de Roberto Cidade seria uma continuidade da gestão de Wilson Lima e fez acusações sobre irregularidades e uso de recursos públicos. Cidade rejeitou a associação e afirmou que responde pelos próprios atos, defendendo os resultados de sua administração.

Durante o confronto, David relembrou sua passagem pelo Governo do Amazonas em 2017, quando assumiu interinamente o cargo por 149 dias. O candidato do Avante enumerou obras e ações realizadas no período, incluindo o asfaltamento de 392 quilômetros de estradas, ramais e vicinais, além de promoções de policiais militares e pagamento de abono a professores da rede estadual.

“Cidade, senta aí que eu vou te falar o que eu fiz em quatro meses como governador”, declarou David, ao comparar sua passagem pelo Executivo estadual com a gestão de Cidade e Wilson Lima.

O governador rebateu as declarações, questionou os resultados da administração de David na capital e mencionou promessas não cumpridas, como a construção do Hospital-Dia. David, por sua vez, citou o Hospital de Manacapuru, cuja construção, segundo ele, foi prometida há oito anos e ainda não havia sido entregue.

O confronto também incluiu referências a disputas políticas na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), acusações sobre supostas negociações políticas e questionamentos sobre a atuação dos dois candidatos em cargos públicos anteriores. As acusações foram apresentadas pelos próprios adversários durante o debate, sem que o encontro constituísse uma apuração ou comprovação das alegações.

Zona Franca, educação e segurança também estiveram em pauta

Além dos confrontos, os candidatos apresentaram propostas para áreas consideradas estratégicas para o desenvolvimento do Amazonas.

Na discussão sobre a Zona Franca de Manaus, Maria do Carmo defendeu o fortalecimento do modelo econômico, a atração de novos investimentos e a criação de alternativas para ampliar as oportunidades de emprego no interior. Isael Munduruku questionou posicionamentos políticos relacionados à Zona Franca e cobrou garantias de proteção aos interesses do estado.

Omar Aziz destacou a necessidade de investimentos em logística, infraestrutura e competitividade, além de mencionar a possibilidade de ampliar a ligação entre os municípios amazonenses. Entre as propostas apresentadas, também citou iniciativas voltadas ao turismo e à diversificação econômica.

Na educação, os candidatos divergiram sobre a valorização dos profissionais, a estrutura das escolas estaduais e os investimentos realizados em gestões anteriores. Omar mencionou reajustes concedidos aos trabalhadores da educação e criticou os custos de construção de unidades escolares. David questionou a situação da Cidade Universitária, enquanto Isael defendeu melhores condições de trabalho e ampliação da capacidade de ensino.

A segurança pública também esteve entre os principais temas, com propostas de ampliação do efetivo policial, realização de concursos, fortalecimento das delegacias e combate ao tráfico de drogas. Isael defendeu políticas de prevenção e investimentos nas comunidades, enquanto Maria do Carmo apresentou propostas para ampliar a capacidade de resposta das forças de segurança. Omar e Roberto Cidade confrontaram dados e ações relacionados ao efetivo policial e ao funcionamento das unidades de atendimento.

As políticas para os povos originários foram abordadas principalmente por Isael Munduruku, que criticou a atuação do poder público estadual e defendeu maior participação indígena na formulação de políticas públicas. David Almeida, por sua vez, citou ações realizadas pela Prefeitura de Manaus em comunidades indígenas, enquanto os demais candidatos também foram questionados sobre iniciativas voltadas a essas populações.

Candidatos a governo do Amazonas trocam acusações e apresentam propostas em debate - debate davi cidade
David Almeida e Roberto Cidade se enfrentaram sobre suas experiências ainda curtas como governadores do Amazonas (Foto: Reprodução/A Critica)

Debate terminou com considerações finais

No quinto e último bloco, os candidatos tiveram espaço para as considerações finais, com a participação também dos candidatos a vice-governador, que apresentaram pontos dos programas de governo de suas respectivas chapas.

O encontro ocorreu na sede da TV A Crítica, na Cidade das Comunicações, na zona Centro-Sul de Manaus, com transmissão ao vivo pela televisão e pelo canal da emissora no YouTube. A área externa da emissora também registrou concentração de apoiadores, com bandeiras e manifestações das equipes de campanha. Houve registro de um princípio de confusão entre simpatizantes, que exigiu intervenção da Polícia Militar.

Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, o debate integrou a reta final da campanha eleitoral no Amazonas e ofereceu aos eleitores a oportunidade de acompanhar os posicionamentos dos cinco candidatos sobre os principais desafios do estado, além das divergências sobre suas trajetórias e experiências na administração pública.

Candidatos a governo do Amazonas trocam acusações e apresentam propostas em debate - debate apoiadores2
Apoiadores dos candidatos presentes ao debate tomam a Avenida André Araújo em frente à TV A Critica (Foto: Lilian D’Araujo)

Apoiadores

Do lado de fora, ocupando a avenida André Araújo, milhares de apoiadores dos candidatos também protagonizaram embates e fizeram muito barulho durante a transmissão do debate que acabou acontecendo em um estúdio de vidro com vista para a ‘torcida’.

Além de muito barulho, apoiadores entraram em confronto, ocasionando uma briga generalizada do lado de fora, provocando reação da polícia que estava presente no local.

Lílian Araújo

É Jornalista, Artista, Gestora de TI, colunista do JC e editora do Jornal do Commercio
Pesquisar