Aldenor Ernesto de Lima nasceu no Careiro da Várzea e, como a maioria dos interioranos da Amazônia, viveu e cresceu em perfeita comunhão com os peixes, seja como alimento ou fonte de renda. No caso de Aldenor, foi das duas formas, pois desde cedo o rapaz começou a trabalhar como pescador chegando a ter uma embarcação de pesca.
Depois de, como jovem aventureiro, viajar por vários estados brasileiros em fins da década de 1960 e início da de 1970, em 1974 ele finalmente resolveu se estabelecer em Manaus e montar um negócio que, não por acaso, acabou resultando no envolvimento daqueles a quem conhecia bem: os peixes.
Junto com o sócio Luis Martins, Aldenor alugou um ponto onde funcionara um comércio e estava fechado, na esquina das ruas Emílio Moreira e Airão. O objetivo dos dois era montar um restaurante. Aldenor lembra que o negócio foi aberto “na marra”. “Estávamos com pouco dinheiro, então o fogão era doméstico, nada de fogão industrial. O freezer foi emprestado. Conseguimos 10 mesas e 40 cadeiras e colocamos uma cozinheira. Eu e o Luis atendíamos os clientes e ainda sobrava para eu fazer as compras porque, modéstia à parte, sabia escolher os melhores peixes, os mais frescos, os que proporcionariam os pratos mais saborosos”, lembra.
A escolha
do nome
Foi assim que o restaurante começou a ganhar fama como peixaria, muito embora nem nome tivesse. “Eu sabia que o nome precisava ser fixado na mente dos clientes para ficar famoso. Naquela época tinham vários bons restaurantes na cidade, entre eles o Canto do Galeto e o Canto da Alvorada, que receberam esses nomes porque ficavam em esquinas. Como aqui era (é) uma esquina, tive a idéia de colocar Canto da Peixada. Nem demorou para o nome pegar”, disse.
Sucesso vem com o bom atendimento
Foi tanto o sucesso da nova peixaria que com uma semana os dois sócios tiveram que colocar mais mesas e cadeiras nas calçadas, como até hoje, e se animaram em comprar maquinário novo, o fogão industrial e o freezer para guardar os peixes, entre outros. “O que posso dizer é que desde a abertura de suas portas o Canto da Peixada sempre fez sucesso e evoluiu no atendimento, procurando diariamente agradar o paladar de seus clientes”, garante Aldenor.
Desde o início o Canto da Peixada funciona de segunda a sábado, para almoço e jantar, e aos domingos somente para almoço. Há 34 anos essa tem sido a rotina de trabalho de Aldenor que, há algum tempo sem o sócio Luis Martins, não reclama nem um pouco, aliás, até gosta muito do que faz, pois a peixaria passou a ser a preferida de pessoas ilustres da cidade, políticos, prefeitos e até governadores, se tornando referência quando o assunto é um delicioso prato feito à base de peixes regionais.
Aldenor acredita que a longevidade da peixaria se deva à manutenção do que sempre deu certo no local: o bom atendimento aos clientes e a excelência no preparo dos peixes, além de um segredo que ele resolveu contar. “Ninguém entende mais de peixe do que eu. Até hoje sou eu quem faz as compras dos peixes no mercado e sei exatamente quando eles estão no seu melhor estado, no ponto para proporcionar um prato saboroso. Nunca tive fornecedor de peixes. Eu mesmo gosto de escolher e comprar”, acrescenta.
Da mesma época do Canto da Peixada eram o Roda Viva, Timoneiro, Forasteiro, Solar do Olimpia, Tucunaré, Jupati, Uirapuru, Tia Nena, Palhoça, Barracão, Panorama, São Domingos, entre outros, “todos foram contemporâneos da peixaria, mas, ao longo dos anos foram fechando as portas”, recorda.
Visita do Papa é a lembrança mais emocionante
Um fato que se tornou o mais importante nos 34 anos de existência do Canto da Peixada foi a peixaria ter servido refeições para o papa João Paulo II quando este esteve em Manaus, em 1981. Amigo de longo tempo do atual arcebispo dom Luis Soares Vieira, o religioso solicitou a Aldenor que ficasse responsável em servir algum prato típico para o papa e ele assim o fez. Como lembrança, e com muito orgulho, Aldenor expõe em






