Capacitação para destravar setor

Em: 11 de novembro de 2013
Cooperativas rurais sofrem com problemas de logística, infraestrutura e falta de qualificação
Cooperativas rurais sofrem com problemas de logística, infraestrutura e falta de qualificação

As cooperativas rurais são as maiores fontes de injeção de renda em alguns municípios do interior do Amazonas, mas sofrem com as dificuldades logísticas e falta de capacitação. Buscando sanar esses entraves, de 4 a 9 deste mês, Parintins foi sede do Seminário de Tecnologia Agroflorestal, evento que visava capacitar técnicos e agentes multiplicadores para atuarem no planejamento, na transferência e na adoção de tecnologias agroflorestais. Técnicos, extensionistas, gestores e lideranças locais são os protagonistas do evento realizado pela Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e coordenado por Jeferson Luís Vasconcelos de Macêdo –Embrapa Amazônia Ocidental e com apoio da Prefeitura de Parintins, do Ifam –Campus Parintins e Idam – Escritório Local de Parintins.
Na noite de sexta feira (8) os presentes puderam assistir a palestra “Cooperativismo/Associativismo: Importância para o Sucesso da Produção Agroflorestal”, ministrada pelo superintendente do Sistema OCB/Sescoop-AM (Organização das Cooperativas do Estado do Amazonas / Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo do Estado do Amazonas ), Adriano Trentin Fassini “nossa participação visa o desenvolvimento das economias locais e a sustentabilidade social e ambiental das comunidades através do empreendedorismo coletivo. É um iniciativa que nos entusiasma, pois percebemos que cada vez mais, o interesse pelo cooperativismo se amplia, principalmente nas universidades e instituições de ensino.” explicou Fassini.
Dados recentes do Sindicato das Cooperativas apontam a existência de 54 cooperativas filiadas à OCB, em 32 municípios do Amazonas, envolvendo mais de 20 mil famílias no interior. Mas de acordo com Fassini, as cooperativas agropecuárias do Amazonas ainda carecem de um substancial incremento “elas precisam aproveitar as possibilidades de mercado que a demanda por produtos amazônicos vem gerando. Por se tratar de um cooperativismo jovem e pouco estruturado, apresenta algumas fragilidades que precisam ser corrigidas com a profissionalização da gestão e com a organização produtiva voltada para o mercado e para a agregação de valor.”
Para o superintendente, a capacitação através de parcerias, como a que desenvolveu o seminário, servirá para o fortalecimento da produção rural e do cooperativismo “acreditamos que o Cooperativismo é o modelo mais adequado de negócios para gerar eficácia social através da cooperação mútua voltada para a eficiência econômica das atividades produtivas. No Amazonas nossa principal característica é a área de atuação limitada à comunidade em que está inserida ou, no máximo, ao município. Isso se deve, principalmente, às grandes extensões dos municípios e às peculiaridades logísticas que não favorecem o relacionamento entre comunidades e dificulta o surgimento de cooperativas com maior volume de cooperados e escala maior de produção.”
A transferência e adoção de tecnologias agroflorestais pode gerar além do aumento de renda do produtor rural, uma expansão de mercado já que ainda não há produção em grande escala (commodities) “dentre as exigências do mercado, a qualidade vem em primeiro lugar, e somente através da uma organização e profissionalização dos atores envolvidos no processo de produção/comercialização, principalmente da castanha, guaraná, cupuaçu, açaí e pescado, é que as cooperativas poderão ser competitivas, garantindo renda justa ao cooperado. É preciso que as cooperativas aprimorem seus processos na produção da matéria prima, colheita, armazenagem, logística e distribuição,” conta Fassini.
O uso de tecnologias pode gerar novos mercados, Fassini citou a Agrofrut de Urucará que já exporta guaraná com certificação orgânica para Itália e França. “Há ainda cooperativas que industrializam castanha, abacaxi, cupuaçu, mel, açaí, leite e cacau nativo, algumas delas com pequena penetração no mercado nacional, com exceção da castanha, cuja produção vai quase toda para fora do Estado.As exportações ainda são pouco significativas se comparadas ao potencial da castanha, açaí e pescados, visto que o Amazonas é o maior produtor de castanha do Brasil, e essa produção é comercializada, quase que na sua totalidade, por cooperativas,” explicou o superintendente.
Durante o seminário foi ministrado o curso de Capacitação em Tecnologias Agroflorestais para a Amazônia, que contou com a participação de cooperativas, institutos de pesquisa, secretarias municipais de Parintins, consórcio indígena Saterê-Mawé, Funai, Fundação Amazônia Sustentável, Instituto Amazônico de Desenvolvimento Pleno, Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) e Secretaria Municipal de Produção e Abastecimento de Juriti e a Diocese de Parintins.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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