Ontem pela manhã, Minc havia negado a possibilidade de substituir Marina Silva. No entanto, segundo o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), Lula voltou a convidar o secretário para assumir a vaga. Cabral disse que ontem ocorreu o segundo convite feito por Lula a Minc. “O presidente fez o convite para mim na noite de terça-feira e voltou a me ligar ontem pela manhã. Eu não tenho como negar esse pedido do presidente”, afirmou o governador.
De acordo com a assessoria de Minc, ele disse que aceitava o convite em Paris -onde está em viagem de trabalho. A confirmação de Minc na pasta aconteceu depois do presidente Lula se reunir no Palácio do Planalto com o ex-governador do Acre Jorge Viana (PT), que também era cotado para o cargo.
Viana não quis falar sobre o convite nem se havia recusado a oferta de assumir o Ministério de Meio Ambiente. Mas seu irmão, o senador Tião Viana (PT-AC), chegou a dizer que Minc tinha mais perfil para assumir o Ministério que o ex-governador.
Viana viajou de Rio Branco (AC) para Brasília na madrugada de ontem. Na terça-feira, o presidente falou por telefone com o ex-governador, sondando-o sobre a possibilidade de integrar o Ministério.
Carta de
demissão
Marina Silva pediu demissão do cargo por meio de uma carta enviada a Lula. A atitude da ex-ministra desagradou o presidente, que considerou a forma inade-quada, pois teria ocorrido um excesso de divulgação.
Ela entregou seu pedido de demissão em uma carta, na qual reclama da resistência que enfrentou no gover-no e da falta de sustentação política. “Vossa Excelência é testemunha das crescentes resistências encontradas por nossa equipe junto a setores importantes do governo e da sociedade”, disse.
“Em muitos momentos, só conseguimos avançar devido ao seu acolhimento direto e pessoal. No entanto, as difíceis tarefas que o gover-no ainda tem pela frente sinalizam que é necessária a reconstrução da sustentação política para agenda ambiental”.
Marina vinha entrando em conflitos com outros minis-térios, como a Casa Civil e a Agricultura, em casos e questões que opõem proteção ambiental a interesses econômicos.
O mal-estar entre Marina Silva e Dilma Rousseff (Casa Civil) começou em julho do ano passado, por conta das negociações em torno do edital para as concessões do leilão das usinas de Santo Antônio e Jirau, no rio Madeira (RO). Com o ministro Reinhold Stephanes (Agricultura), o desentendimento girava em torno do plantio de cana. Para ela, Stephanes incentiva o plantio de cana em áreas degradadas da Amazônia, do Pantanal e da Mata Atlântica.







