Sem tempo para descanso, assim alguns comerciantes e prestadores de serviço veem os dias de carnaval e a passagem de blocos em Manaus. O período é de diversão que para muitos é sinônimo de álcool, e lá estão os ambulantes em seus carrinhos e caixas faturando. Alimentando esses, estão os atacadões e, mais comumente, as pequenas distribuidoras que às vezes servem de loja de conveniência e até mesmo de bar. E após horas de diversão, quando o folião precisa voltar para casa, taxistas e mototaxistas estão sempre a disposição e também lutando por uma renda extra.
Abastecendo a folia
Distribuir bebidas é um dos negócios mais vantajosos do período momesco, explica o proprietário da loja de conveniência Ilha do Louro, Kley ‘Louro’ Costa. “Estamos em um ponto privilegiado, no bairro da Raiz, confluência de vários bairros e sempre tem alguém passando para abastecer. No Carnaval o movimento é ainda maior, o que dá trabalho para as seis pessoas que tocam o negócio”, ressalta o empresário.
Ao lado da esposa Ana Paula, Kley se desdobra para atender a clientela, mas curiosamente, em um dia, eles descansam enquanto os vizinhos se divertem. “Aqui próximo, todos os anos temos uma banda de rua e fizemos um acordo que favorecesse os vendedores informais e a organização do evento: ao toque da primeira marchinha, a loja fecha. Mas até esses últimos momentos, estamos prontos a atender e temos muito trabalho”, comenta ‘Louro’.
Apostando em um Carnaval saudável
Mesmo longe da folia urbana, para alguns empreendedores não dá para parar e ver o bloco passar, conta o proprietário do SUP do Abeca, Sandro Abecassis. “No flutuante vamos na contramão da folia tradicional, o nosso mote em publicidade e serviços nesses dias é voltado para quem quer descanso. Enquanto isso, nós trabalhamos.
Quanto aos fornecedores de bebidas e ingredientes para a cozinha, não temos problemas. Compramos antecipadamente nos atacadões que é outro segmento que também não para”, disse.
Abecassis ainda lança mão de outro negócio para garantir um extra no Carnaval, dessa vez acompanhando blocos de rua.
É o Quiosquebike, um food bike. “Nós fechamos com algumas bandas espaço pra vender nossos produtos, para essas festas vamos focar no caldinho de feijão. E acredito que essa época é boa mesmo para se ganhar dinheiro.
Minha esposa, que trabalha comigo no flutuante e no bikefood, adora quando tem festa para vender roupas que compra direto das fábricas de Brusque (SC). Sempre tem alguma garota querendo roupa nova pra ir as bandas e bailes”, conclui.
Transportando os foliões
Para o transporte dos foliões para as bandas e blocos, taxistas e mototaxistas, clandestinos e legalizados estão sempre prontos. As associações e profissionais legalizados explicam que realizar ‘corridas’ com os piratas pode ser arriscado. Opinião corroborada pelo taxista Roberto Ramos. “O que combatemos é o uso irregular de veículos particulares cobrando pelo transporte de passageiros. Não se sabe sobre o estado legal do carro e não se é possível formalizar reclamações contra quem não existe legalmente”, afirma.
Segundo Ramos, fazer corrida com táxis regulares ainda é mais seguro. “Muitos hoje andam com maquinetas para cartão de débito, uma comodidade para o folião que não precisa se arriscar portando dinheiro.
Em alguns casos particulares, ainda é possível se conseguir descontos, é meu jeito de trabalhar, evito assim perder a corrida e o passageiro chega seguro em casa.
Para esse carnaval esperamos um movimento satisfatório, já que as coisas não foram muito boas no fim de ano”, fecha Ramos.






