“A carne brasileira é um grande produtor de dióxido de carbono”. A declaração é de Sverker Molander, professor do Sistema de Análises do Meio Ambiente e um dos pesquisadores responsáveis por um artigo publicado no Environmental Science & Technology que aumenta a culpa da produção de carne brasileira no impacto climático.
O artigo chama a atenção para o aumento na produção devido a maior exportação da produção pecuária na última década. Para Molander, o impacto indireto também deve ser levado em consideração quando a pegada ecológica da carne for calculada.
“Se este aspecto não for levado em consideração, haverá o risco de mandarmos o sinal errado para os políticos e consumidores, e nos sentiremos culpados por subestimar o impacto da carne brasileira na mudança climática”, disse Molander.
No Brasil, a produção de carne é o maior causador do desmatamento da Amazônia. Isso não representa apenas a perda de área verde, mas também uma maior liberação do dióxido de carbono advindo das queimadas. Estima-se que cerca de 60% a 70% das áreas desmatadas sejam usadas pela pecuária.
Hoje, o impacto das exportações de carne brasileiras é considerado zero porque a área cultivada destinada ao mercado exterior representa apenas 6% da produção total, mas de acordo com o artigo de Molander, estes 6% representam uma emissão de dióxido de carbono 25 vezes maior do que o apresentado no resto da produção.
O aumento na exportação é a principal causa do aumento na produção, o que significa que isso contribui, ainda que indiretamente, para um cultivo maior de pastagens onde deveria existir florestas. A combinação de emissão de dióxido de carbono e desmatamento responde por 10% das emissões globais.
“O problema é que o nosso consumo de carne está aumentando. Para cara kilograma que comemos, aumenta-se a chance de desmatamento”, disse Christel Cederberg, um dos coautores do artigo.
“Em 2050, espera-se que o consumo de carne aumente cerca de 80%, o que tornará necessário mais terras para pastagens. Além disso, há também uma crescente demanda para a produção de bioenergia”. Para Cederberg, há um perigo grande em apenas se preocupar com o aumento nos rendimentos obtidos com a produção.
Carne causa mais impacto que o calculado
Em: 9 de março de 2011
“A carne brasileira é um grande produtor de dióxido de carbono”.
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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