Curiosidades e dicas de como manter um plantio com tipos diferentes de cupuaçu para conservar a diversidade genética, sobre como ocorre a fecundação das flores, além dos principais insetos (abelhas sem ferrão) responsáveis pela polinização (transporte do pólen até o órgão feminino da flor). Estes dados estão reunidos na “Cartilha Polinização e Manejo dos Polinizadores do Cupuaçu”. A obra foi lançada ontem, às 15h, na Casa da Ciência – Bosque da Ciência, do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia).
Em uma linguagem simples e toda ilustrada, a cartilha reúne o conhecimento científico acumulado pelo Labgen (Laboratório de Genética e Biologia Reprodutiva de Plantas). E é o resultado da colaboração de pesquisadores e técnicos com formação em Ecologia e História Natural cujos autores são: Rogério Gribel; Aldenora de Queiroz; Maria da Glória de Assis; Favísia de Oliveira; Marcelo de Queiroz, Carlos Palácio.
Além de trazer informações científicas de uma forma simples, a cartilha serve como guia para pequenos agricultores que trabalham ou desejam trabalhar com o cupuaçu e mostra a importância dos polinizadores (as abelhas) no processo de produção do fruto. Para isso, traz orientações sobre o sistema reprodutivo e a polinização do cupuaçu a fim de aumentar a produção na região.
Os autores explicam para o leitor que sem a atividade dos polinizadores não há o desenvolvimento do frutos, mesmo que haja centenas de flores numa árvore que parece ser sadia e sem problemas.
Além disso, a cartilha procura destacar a importância de manejar corretamente o plantio do cupuaçu a fim de que se obtenha um maior número de flores fecundadas, e é claro, o aumento da produção dos frutos. Outro tópico abordado é o funcionamento da flor e comportamento das abelhas nativas polinizadoras.
Informações completas
Na cartilha, o leitor encontrará informações sobre as partes que compõem a flor, bem como o papel em todo o processo de polinização. Há dados sobre manejo, principais polinizadores e onde vivem, orientações para plantio, o que se precisa saber sobre reprodução do cupuaçu e o fruto como grande negócio. Isso porque, hoje, segundo os autores, existem diversos produtos elaborados e desenvolvidos a partir da polpa do fruto, os quais são comercializados no Brasil e no mundo.
Segundo Gribel, a cartilha tem uma abordagem distinta dos manuais técnicos agronômicos tradicionais, uma vez que a preocupação foi centrada na interação ecológica entre o cupuaçuzeiro e seus visitantes florestais, tão importantes quanto as questões relacionadas à adubação, por exemplo.
“As abordagens ecológicas e agronômicas devem ser sempre integradas para maximizar a produção do cupuaçu e de outras fruteiras tropicais. Para uma melhor compreensão dessa cultura, plantamos o cupuaçu em nossos sítios e quintais, nos familiarizando com a manipulação de suas flores para polinização, além de conhecer o comportamento e hábitos de nidificação de seus visitantes florais”, salientou.
Consciência para produção
O objetivo da cartilha, de acordo com Gribel, foi despertar no produtor e na sua família, especialmente os jovens e as crianças, a consciência de que se pode produzir, manejando e interagindo harmoniosamente com outros seres vivos. Dessa forma, todos se beneficiem –inclusive o homem– da manutenção dessas importantes interações ecológicas.
A obra contou com o apoio do Probio (Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira), do SPC&T (Subprograma de Ciência e Tecnologia) – Programa Piloto para Proteção das Florestas Tropicais do Brasil e CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).







