CAS fecha ano com pauta de R$ 1,7 bilhão aprovada

Em: 6 de dezembro de 2021
O CAS encerrou seu calendário de reuniões deste ano, nesta sexta (3), com a aprovação de uma pauta de R$ 1,7 bilhão em investimentos para Manaus e Roraima.

O Conselho de Administração da Suframa encerrou seu calendário de reuniões deste ano, nesta sexta (3), com a aprovação de uma pauta de R$ 1,7 bilhão em investimentos para Manaus e Roraima. Todos os 22 projetos presentes na pauta da 301ª reunião do CAS – dois deles voltados para a agroindústria – ganharam sinal verde dos conselheiros. As iniciativas de implantação, diversificação, ampliação e atualização preveem a geração de 832 postos de trabalho nos próximos três anos.

Entre os projetos de implantação, destacam-se as iniciativas de implantação da Agroindustrial Serra Verde (R$ 55,3 milhões para produção de óleos vegetais e Boa Vista) e da Sabores Vegetais do Brasil (R$ 2,1 milhões para cultivo de açaí e guaraná no Distrito Agropecuário da Suframa). Outro destaque é a proposta de instalação da SX Led Lighting Comércio e Serviços (R$ 11 milhões para fabricação de luminárias com fonte de luz em estado sólido). O maior aporte vem da Samsung Eletrônica da Amazônia, que prevê injetar R$ 726 milhões para projeto de atualização voltado para produção de tablets.

A reunião foi marcada também pela celebração de acordos de cooperação técnica entre a Suframa e instituições de Roraima, com o objetivo de aprimorar a operacionalização de serviços e atividades desenvolvidas pela autarquia, bem como incentivar o ecossistema de PD&I (Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação) local. Como de costume, o evento serviu como fórum para encaminhamento de questões pertinentes ao PIM, como o interesse da indústria incentivada de participar mais ativamente do mercado de veículos elétricos. 

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Durante o evento, o superintendente Algacir Polsin fez um balanço de 2021, destacando, principalmente, o papel da Suframa na articulação de iniciativas de desburocratização e facilitação do ambiente de negócios. Lembrou que o CAS aprovou, em 2021, quase 180 projetos industriais, com expectativa de gerar 13.724 empregos e faturamento adicional de US$ 17,7 bilhões, em até 3 anos. “Além disso, destaca-se também a chegada ao PIM de 40 fábricas em dois anos e a previsão de faturamento de R$ 140 bilhões neste ano, com cerca de 102 mil empregos diretos gerados. São números bastante representativos”, comemorou.

Polsin também citou ações que serão realizadas no próximo ano, em parceria com o governo federal e outros entes públicos e privados, tendo como intuito principal contribuir para a execução de projetos fomentadores do desenvolvimento sustentável na região. Entre elas está a licitação de 267 lotes no Distrito Agropecuário da Suframa e de 14 lotes na Área de Expansão do Distrito Industrial de Manaus,; o início do georeferenciamento do DAS, a implantação do projeto turístico “Zona Franca de Portas Abertas”, a participação na ExpoDubai (em março de 2022), o prosseguimento das ações de implantação da ZDS Abunã-Madeira e da ZDS Roraima, e o lançamento do edital para a gestão do CBA (Centro de Biotecnologia da Amazônia).

Mercados e logística

Em seu aparte, o titular da Sedecti (Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação), Jório Veiga, salientou a necessidade de o PIM não ficar alheio a novos mercados promissores e inovadores para a indústria, ao pedir um “olhar especial” ao setor de mobilidade elétrica. O secretário estadual disse que acompanha o potencial e o desenvolvimento intenso desse segmento e destacou que, para o próximo ano, espera-se que o número de veículos elétricos cresça mais de cinco vezes. 

“Não podemos deixar que a indústria nacional deixe de participar desse mercado tão importante. Especialmente as que estão sob a administração da Suframa. De certa forma, o fato de sermos incipientes, fez com que deixamos de participar do crescimento da energia fotovoltaica. Hoje, todo o processo é feito de forma importada. Não fabricamos no Brasil os equipamentos e painéis. Seria importante que isso não aconteça também no segmento de mobilidade elétrica. Temos veículos de uma maneira geral, e de micromobilidade, como patinetes e bicicletas, e logo teremos motocicletas”, explanou. 

Jório Veiga também agradeceu a Suframa por encampar a realização de um seminário sobre infraestrutura logística “que vai acontecer em breve”, e disse que o governo do Amazonas tem “muita preocupação com isso” e busca soluções para melhorar o processo. O titular da Sedecti lembrou que fala-se muito que a logística é um problema na Amazônia, mas observou que isso costuma ser dito de uma maneira geral e destacou a importância de chegar aos problemas específicos para resolve-los de forma racional.

“Não posso deixar de citar que um recente estudo do Banco Mundial disse que, se reduzirmos os custos do transporte em 12,5%, podemos fazer o PIB da Amazônia crescer 20%. Isso demostra a possibilidade que temos, se atacarmos os pontos certos, com racionalidade, celeridade, e sem malabarismo. Trazer aqueles que comandam a política nacional é importante, mas temos de trazer também aqueles que fazem a logística no dia a dia e sofrem com esses pontos de gargalo”, afiançou.

Agroindústria em foco

Em sua participação, o presidente da Fieam (ederação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, destacou a aprovação dos projetos para a agroindústria. “A atual pauta é reflexo deste momento: ressaltamos o projeto da Agroindustrial Serra Verde, que investirá R$ 55,3 milhões para produzir óleos vegetais em geral (graxos) na Área de Livre Comércio de Boa Vista. Outro projeto agroindustrial voltado para o aproveitamento de matérias-primas regionais é o da Sabores Vegetais do Brasil, que busca se instalar no Distrito Agropecuário da Suframa para trabalhar com as culturas do açaí e do guaraná, com investimentos de R$ 2,1 milhões”, listou.

O dirigente também enfatizou o desempenho da Suframa ao longo do último ano, sob o comando de Algacir Polsin e sua equipe. “Seu incansável trabalho tem recolocado a Suframa em lugar de destaque na região amazônica”, enfatizou. Também fez um elogio especial à iniciativa da autarquia em promover reuniões itinerantes nos Estados, considerando que a iniciativa reposicionou a Suframa junto aos governos estaduais da região. “O caminho está sendo trilhado com excelência e eficácia!”, enalteceu.

Acordos e calendário

O primeiro acordo celebrado durante a reunião do CAS foi o termo de cessão de gozo e uso gratuito à Prefeitura de Boa Vista de um galpão industrial situado no terreno da antiga Coordenação Regional da Suframa na cidade, localizado no bairro São Vicente. A expectativa é que o galpão, com área construída de 1.531 metros quadrados, sedie as instalações do Hub de Inovação de Roraima. Foi assinado também um acordo de cooperação técnica com a Junta Comercial do Estado de Roraima, pelo qual a Suframa recebe acesso ao banco de dados da entidade para otimizar o cadastro de empresas na Área de Livre Comércio de Boa Vista. Houve ainda a formalização de um acordo com o governo de Roraima para implantação de uma Zona de Desenvolvimento Sustentável no Estado.

Os conselheiros também aprovaram o calendário de encontros para o próximo ano de trabalho, o qual prevê seis reuniões ordinárias: 24 de fevereiro (Manaus/AM); 28 de abril (Macapá/AP); 23 de junho (Manaus/AM); 18 de agosto (Rio Branco/AC); 20 outubro (Manaus/AM) e 07 de dezembro (Porto Velho/RO).

No encerramento da reunião, o secretário especial de Produtividade e Competitividade do Ministério da Economia, Carlos Da Costa destacou o compromisso do governo federal com o modelo Zona Franca de Manaus. “Quero reforçar que, no que depender do atual governo, ninguém irá tocar na Zona Franca de Manaus, que, na verdade, é de toda a Amazônia”, pontuou.

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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