Quando as irmãs Elzira e Wanda Martimiani estavam em São Paulo, trabalhando com confecções, nem em sonho imaginavam vir para Manaus, e mais ainda, se transformar em empresárias na capital amazonense.
A história das irmãs paulistas na cidade começou a se delinear no início da década de 1990, através de seu irmão, que já morava por aqui. O irmão, saudoso dos tempos da infância, lembrava quando os três saboreavam delícias feitas de milho: pamonha, bolo, curau (a mesma canjica), pão, salgados, cuscus, na fazenda em que moravam no interior de Minas Gerais e sentia falta desses produtos nos bares, lanchonetes e restaurantes locais.
Foi então que sugeriu às irmãs que viessem para cá e abrissem uma casa na qual fizessem produtos de milho verde. “Ele disse que iríamos ganhar dinheiro porque não existiam casas do gênero por aqui. Acreditamos nele e viemos”, contou Elzira.
Surgia assim, em 1993, a Casa da Pamonha, no Parque Dez, servindo café da manhã com produtos feitos à base de milho verde. O negócio se tornou tão promissor que um ano depois as irmãs abriram mais uma Casa da Pamonha, agora no Dom Pedro. “Ela ficava numa loja e eu na outra”, lembrou Elzira. Pouco tempo depois, mais uma loja, desta vez, na Djalma Batista.
Cozinha mineira e amazônica se misturam
Com três lojas na cidade, as irmãs, com a tranquilidade característica dos mineiros, viram que seu empreendimento estava crescendo rápido demais, além do imaginado, e resolveram centralizar todo o negócio numa única loja no centro, em 1995. “Ela saiu da sociedade e eu assumi a Casa da Pamonha sozinha a partir de então”, disse Elzira.
União das
cozinhas“Em todas as casas que abrimos o sucesso foi imediato, com o ambiente ficando lotado para o café da manhã”. Desde o início, Elzira só fez aprimorar uma técnica básica de quem trabalha diretamente com o público: ouvir o que este tem a dizer e, na medida do possível, atendê-lo, segundo ela. “Mesmo o milho verde fazendo sucesso para um público que não tinha costume de comê-lo no café da manhã, começaram a surgir pedidos de produtos da região como a tapioca, o pão com tucumã, a banana frita, o bolo de macaxeira, coisas que eu não sabia fazer, mas tive que aprender para satisfazer aos meus clientes”.
A incipiente empresária lembrou que teve até uma certa dificuldade em lançar o pão com tucumã, pois achava muito estranha aquela combinação.
Comida vegetariana entra no cardápio
Consolidada a união da cozinha regional mineira com a cozinha amazônica, Elzira verificou que o mercado ainda tinha bastante espaço para ampliar os seus negócios e, empreendedora, buscou um outro segmento não muito comum na cidade: os alimentos vegetarianos.
“Eu observei que vários dos meus clientes vinham tomar o café da manhã depois das 10h, até às 11h ou meio-dia, ou porque gostavam dos produtos ou porque não queriam realmente comer a comida tradicional do almoço. Resolvi estender o horário de atendimento, mas queria ser diferente dos demais restaurantes aqui do centro. Foi então que surgiu a idéia de criar um cardápio vegetariano. Fui até São Paulo especialmente sondar o que poderia servir no restaurante e quando voltei, fui logo colocando para funcionar. Com isso, ocuparia o horário do almoço e poderia estendê-lo até à tarde, quando as pessoas querem comer novamente, mas agora, um lanche”.
Visão para
os negócios
Mais uma vez Elzira mostrou que tinha visão para os negócios. Seu estabelecimento passou a abrir às 7h e encerrar o atendimento às 19h sem parar de receber clientes. “Um dos segredos para o sucesso, eu posso contar, é você manter a qualidade tanto no atendimento quanto nos produtos. O cliente é exigente mas, na medida do possível, você tem de atende-lo. Com isso, ele se mantém fiel”, ensinou.
Atualmente, o cardápio da Casa da Pamonha dispõe de aproximadamente 45 itens, todos permanentemente feitos e testados pela própria Elzira. “As receitas, principalmente dos produtos do café da







