Inaugurada na última quinta-feira (20), a primeira unidade própria 100% do BMW Group para manufatura de motocicletas fora da Alemanha, celebra a nova estratégia de expansão da produção de duas rodas da marca alemã. Com um investimento de 10,5 milhões de euros, a unidade fabril de Manaus terá capacidade de produzir 10 mil unidades anualmente e boa parte dos 175 funcionários foi absorvida da mão de obra que já trabalhava com a BMW em parceira com a Dafra desde 2009. A unidade BMW em Manaus está erguida em uma área de aproximadamente 10 mil metros quadrados, que abriga equipamentos de última geração e uma equipe de colaboradores altamente treinada: mais de 50% da equipe tem mais de cinco anos de experiência BMW adquirida com a antiga parceira.
Visando expandir globalmente a produção de motocicletas o BMW Group aposta no Brasil para o crescimento sustentável da marca, disse o presidente da BMW Motorrad, Stephan Schaller. “O Brasil segue como um mercado importante para esta estratégia e vemos um ótimo potencial no país em médio e longo prazo, o que justifica termos escolhido Manaus para a construção de nossa primeira fábrica de motocicletas 100% BMW Group fora da Alemanha”, comenta.
Apostar em uma unidade fora da Alemanha estava nos planos da marca após os números de sucesso dos últimos anos, explica o presidente da BMW Motorrad. “2016 é um ano especial, o ano em que a BMW completa um século. E nunca tivemos números tão bons. Em 2015 foram entregues 136 mil unidades, esperamos crescer mais em 2016 e chegarmos a 2020 com 200 mil unidades. Estamos em crescimento consecutivo nos últimos seis anos e a expertise que temos em 100 anos nos dá essa expectativa otimista”, conta Schaller.
De acordo com Schaller a flexibilidade da planta Manaus foi fator preponderante para a escolha de Manaus como centro estratégico de distribuição e produção. “São nove modelos fabricados em Manaus, de 800cc, 1.000cc e 1.200cc e, em 2017 abriremos mais uma linha, a de 310 cilindradas. Daqui esperamos alcançar os mercados colombiano e argentino e logo mais a América Latina, até o México, mas sempre tendo o foco no mercado brasileiro que atualmente está em 7º do ranking de consumidores BMW premium”, disse o presidente da multinacional.
Celeridade nas operações
A nova unidade levou apenas nove meses para ser concluída, o que nas palavras do head de produção da BMW Motorrad, Marc Sielemann, só foi possível com a proximidade das autoridades do Estado. “Em dezembro passado procurávamos onde nos instalar e tivemos aceno positivo da Suframa (Superintendência da Zona Franca de Manaus), enfim, viemos a esta nova unidade e contamos com as autoridades para as licenças ambientais para iniciarmos o mais breve possível as operações”, disse Sielemann.
Segundo Sielemann, as negociações são um pouco mais antigas e com a abertura coincidindo com o atual momento econômico, as expectativas são as melhores. “Nenhuma decisão foi tomada de impulso e chegamos no momento certo, em que o Brasil começa a se recuperar economicamente e é muito importante participar desse momento, sendo líderes em nossa categoria”, comenta.
Aproveitar o momento de recuperação econômica e se instalar no PIM (Polo Industrial de Manaus) foi lembrado pela superintendente da Suframa, Rebecca Garcia, como uma boa estratégia da BMW e que trará benefícios a Manaus. “O Polo consolidado e sustentável faz de Manaus o melhor lugar para a BMW no momento. Para nós, além da geração de emprego e aumento da produção, nos faz ter mais contato com a indústria 4.0 em que a Alemanha é uma referência. É ótimo para o PIM ter um pouco da Alemanha”, afirma a superintendente.
A escolha de Manaus como sede da primeira fábrica BMW fora da Alemanha também foi lembrada pelo titular da Seplan-CTI (Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Thomaz Nogueira. “Temos abrigados no PIM mais de 600 indústrias e destas, 500 estão em qualquer ranking mundial de produtividade. Esse ambiente é propício para empresas como a BMW, que nesse momento busca expandir negócios e temos o compromisso de tornar esta chegada a mais agradável, afirmando que cada empresa que aqui chega, passa a ser um ponto nas agendas governamentais”, conclui Nogueira.
Modelos produzidos em Manaus
O primeiro modelo a ser produzido na nova fábrica em Manaus é a BMW F 700 GS. O modelo já estará disponível nas concessionárias a partir de novembro, com preço especial de R$ 39.950,00 e será o cartão de visitas da BMW Motorrad no Salão do Automóvel, que acontece entre 10 e 20 de novembro, em São Paulo, segundo o diretor da BMW Motorrad Brasil, Federico Álvarez. “Vamos aproveitar o Salão do Automóvel, um dos maiores eventos automotivos do mundo, para mostrar ao público a BMW F 700 GS, uma motocicleta versátil e tecnológica, que já vinha gerando grande expectativa entre os consumidores brasileiros e entusiastas”, comenta.
Além da 700 GS, ainda neste ano serão produzidas localmente as motocicletas BMW F 800 GS, BMW F 800 GS Adventure, BMW F 800 R, BMW R 1200 GS, BMW R 1200 GS Adventure, BMW S 1000 R, BMW S 1000 RR e BMW S 1000 XR e em 2017 será a vez do primeiro modelo de média cilindrada da BMW, a G 310 R que custará por volta de R$ 22 mil, para manter a paridade com suas concorrentes de mercado na categoria abaixo de 500cc.
Componentes e nacionalização
A nova fábrica conta com 45 fornecedores nacionais de componentes e que, segundo Schaller, atendem as legislações do país e dos PPBs (Processos Produtivos Básicos) da Suframa. “Muitos componentes vêm da Índia, mas a nacionalização da produção é uma das metas da BMW para nos integrarmos a cada país em que chegamos. Se necessário expandiremos ainda mais estes fornecedores locais”, explicou sem dar números de quantos componentistas locais fazem parte da rede de suprimentos.
A atenção à legislação brasileira também é vista no setor de logística da fábrica, que possui um terminal de contêineres e trabalha no sistema ‘just in time’ (as peças só são mandadas a fábrica quando necessárias). “Entendemos que as distâncias tornam a logística mais difícil e essas são as nossas opções enquanto não temos respostas mais rápidas para a questão”, conclui Schaller.






