Centenário de Mário Guerreiro, legado de um empreendedor

Em: 7 de outubro de 2020
Mário Guerreiro escreveu seu nome no livro dos grandes empresários do Amazonas e, aos 100 anos, ainda está na ativa
Centenário de Mário Guerreiro, legado de um empreendedor

Completar 100 anos de idade é para pouquíssimas pessoas, ainda mais quando se tem o sobrenome Guerreiro. No próximo dia 8 o advogado e empresário amazonense Mário Expedito Neves Guerreiro completará 100 anos de existência e, lógico, com muitas histórias vividas e conquistas alcançadas. Ainda lúcido, ele contou ao Jornal do Commercio alguns fatos de sua trajetória na capital amazonense. Uma curiosidade: Mário Guerreiro é o último dos cerca de 160 amazonenses que foram lutar na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, que ainda está vivo.

Mário Guerreiro nasceu no dia 8 de outubro de 1920, na casa do avô, na rua Salvador, Vila Municipal, atual Adrianópolis, numa Manaus economicamente empobrecida, pois menos de dez anos antes a Amazônia perdera a hegemonia mundial no comércio da borracha, produto que tornara a cidade rica e naquele ano, não mais.

Por isso, em 1940, o jovem estava na cidade de São Paulo, então a cidade que mais se desenvolvia no país, e onde ele queria cursar a Faculdade de Medicina. Lá, conseguiu seu primeiro emprego na Companhia de Seguros Prudência e Capitalização na qual outro amazônida, o paraense Adalberto Ferreira do Vale, começou trabalhando como inspetor e chegou a diretor-presidente.

Assim como Adalberto Vale, Mário Guerreiro galgou várias promoções na Prudência e Capitalização e, apenas quatro anos depois já era gerente geral na empresa. Nesse mesmo ano, 1944, o Brasil entrou na Segunda Guerra e Mário Guerreiro, com apenas 24 anos foi convocado pelo Exército para integrar a FEB (Força Expedicionária Brasileira). No dia 30 de junho daquele ano, integrando o 1º escalão de pracinhas, Mário Guerreiro partiu para a Itália onde permaneceu, como os demais colegas de farda, por um ano.

Centenário de Mário Guerreiro, legado de um empreendedor - Na guerra
Em sua história, também há o capítulo da guerra, em 1944

O começo do empresário

Terminada a guerra, Mário Guerreiro voltou para o Brasil e para o seu emprego na Prudência e Capitalização.

Dois anos depois, em 1947, o rapaz retornaria a Manaus para dar início à jornada que o tornaria um dos grandes empresários do Amazonas.

Na capital amazonense, Mário Guerreiro assumiu a gerência da filial da Prudência e Capitalização e ficou sendo o responsável pela construção do, até então, mais espetacular hotel da cidade, o Hotel Amazonas, pertencente à Prudência.

A edificação teve sua pedra fundamental lançada em 29 de abril de 1947 e por quatro anos foi construída sendo inaugurada em 7 de abril de 1951 com quatro andares e 49 apartamentos. Nesse tempo ele casou (1948) com Therezinha do Nascimento Guerreiro, e viriam ter sete filhos.

Centenário de Mário Guerreiro, legado de um empreendedor - Casamento 1
Mário casou com Therezinha do Nascimento Guerreiro, em 1948

Com a inauguração do hotel, Mário Guerreiro assumiu a função de diretor superintendente. Nesse mesmo ano, de 1951, Adalberto Vale fundou a Companhia Brasileira de Fiação e Tecelagem de Juta, a Brasiljuta, e Mário Guerreiro se tornou diretor comercial da nova empresa. Era tanta a confiança do empresário paraense em Mário Guerreiro que este acumulou as funções de gerente da Prudência e Capitalização, diretor superintendente do Hotel Amazonas e diretor comercial da Brasiljuta. E Mário ainda encontrou tempo para cursar a Faculdade de Direito, concluída em 1954, na Jaqueira.

Centenário de Mário Guerreiro, legado de um empreendedor - Mário Guerreiro
Em sua formatura como advogado em 1954

Pelas décadas seguintes, Mário Guerreiro acumulou uma série de cargos e funções no meio empresarial amazonense e abriu outras empresas.

Ele foi acionista fundador e membro do Conselho Fiscal da Copam (Companhia de Petróleo da Amazônia), 1955/56; presidente do BEA (Banco do Estado do Amazonas), 1965/67; presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), 1968/70, 1970/72 e 1978; sócio-fundador da Cerman (Cervejaria de Manaus), 1970; primeiro presidente e depois diretor da Cieam (Centro das Indústrias do Estado do Amazonas), 1979/81; vice-presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas) por diversos períodos, apenas lembrando de algumas instituições, sem citar as inúmeras outras onde atuou como conselheiro fiscal e consultivo, entre outras funções.

Centenário de Mário Guerreiro, legado de um empreendedor - 1970 Brasiljuta 2
Escritório da Brasiljuta, 1970

Lembranças da guerra

Atualmente, Mário Guerreiro é sócio-proprietário da administradora de imóveis Guerreiro Administração e Participações Ltda., membro do Conselho Superior da ACA e da diretoria do Sindicato das Indústrias de Fiação e Tecelagem do Estado do Amazonas. O empresário esteve à frente da Brasiljuta por 40 anos, de 1951 a 1991, quando a empresa cerrou as portas. A Brasiljuta chegou a ter cerca de dois mil funcionários. Instalada no Educandos, a indústria produzia tecidos e sacos de juta vendidos para todo o Brasil e até alguns países da América do Sul. Mantinha prensas em Itacoatiara, Manacapuru, Codajás, alto rio Negro e Castanhal/PA.

Mário Guerreiro acumula uma série de homenagens e condecorações recebidas ao longo da vida. O mais antigo é o Diploma da Medalha de Campanha, de 1952, por ter integrado a FEB; e o mais recente, apesar dos inúmeros reconhecimentos pelas suas atividades empresariais, é a Medalha da Vitória, de 2017, também por ter participado das ações da FEB.

“Mário Guerreiro é uma referência para nós que investimos em nossa região. Em sua longa trajetória liderou e somou esforços para o fortalecimento das entidades empresariais, inclusive com a fundação do Cieam. Como brasileiro, deu exemplo ao servir na Segunda Guerra Mundial”, lembrou Antônio Silva, presidente da Fieam.

“Um pioneiro na industrialização das fibras na Amazônia, juta e malva, um dos itens que ajudou a gerenciar a economia do Amazonas depois da Segunda Guerra. Em 2012, então com 92 anos, ele retomou a produção de juta e malva no Estado. Todas as homenagens que lhe forem prestadas serão justas e devidas, tão grande é seu merecimento”, disse Nelson Azevedo, vice-presidente da Fieam. 

“Todas as homenagens prestadas ao centenário do dr. Mário Guerreiro são dignas, justas e oportunas. Nele estão as raízes históricas da indústria amazonense, desde épocas anteriores à Zona Franca. Dr. Mário é um ícone da vitalidade, determinação e comprometimento cívico”, falou Wilson Périco, presidente do Cieam.

“As entidades de classe aplaudem e parabenizam o grande líder empresarial dr. Mário Guerreiro pela sua longevidade, lucidez e exponencial trabalho em prol da economia e do desenvolvimento do Amazonas”, concluiu Aderson Frota, presidente da Fecomércio.

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
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