Cerveja aposta em ingredientes típicos

Em: 26 de junho de 2014
Empresa de Porto Alegre já foi até mesmo premiada em competição internacional
Empresa de Porto Alegre já foi até mesmo premiada em competição internacional

A paixão unânime foi o ponto de partida para tornar real o que parecia estar apenas no mundo dos sonhos: produzir, de forma artesanal, a própria cerveja. Após cerca de quatro anos de trabalho —e alguns meses depois da inauguração da fábrica própria, em Porto Alegre —, os cinco amigos que conduzem a Cervejaria Tupiniquim celebram posição de luxo entre os concorrentes, já que foram eleitos os melhores do mercado sul-americano, em recente competição considerada a “Libertadores” da cerveja.
Em comum, os sócios dividiam o gosto e a curiosidade pela cultura cervejeira. Além disso, cada um trazia um pouco de experiência teórica sobre a administração de uma empresa. Fernando Jaeger havia morado cinco anos na Europa, onde conheceu fábricas e aprimorou o inglês. André Bettiol e Christian Bonotto eram da área do marketing e da administração financeira. Os irmãos Alex Ribeiro e Márcio Santos tinham experiências comerciais.
“Isso foi algo muito positivo para nós. Tínhamos um ideal em comum e, para melhorar, nossos conhecimentos se complementavam”, afirma Ribeiro.
Como não tinham pressa, decidiram, para começar, abrir uma importadora. Trazem para o Brasil, ainda hoje, cerca de 150 rótulos produzidos em países como Alemanha, Bélgica e Noruega. No início do ano passado, porém, fomentar o mercado nacional com cervejas da rota artesanal europeia passou a não ser mais suficiente: era preciso também produzi-las, colocar nas prateleiras produtos “made in Brazil”.
Em julho de 2013, começaram a produzir suas levas na Saint Beer, empresa parceira localizada na cidade catarinense de Forquilhinha. Enquanto isso, calculavam os investimentos para inaugurar a fábrica própria em Porto Alegre. Com a proximidade do verão e a boa aceitação no mercado, era necessário agilizar.
Aconteceu em janeiro. A fábrica da Tupiniquim foi erguida em um pavilhão de 350 metros quadrados no bairro Anchieta, onde se espalha um maquinário de primeira linha —cozinha, panelas, tanques maturadores, envasadoras, pasteurizadora e rotuladora. A empresa, portanto, é responsável por todos os processos —da produção à rotulagem —e, para isso, além dos incansáveis cinco sócios, conta com mais três funcionários.

Ampliação e novas receitas no horizonte
“Todo negócio gera uma insegurança natural. Todos nós fizemos uma aposta pessoal porque as convicções superaram as inseguranças. Queríamos colocar no mercado produtos diferenciados e com alto controle de qualidade”, conta Ribeiro.
As dificuldades que enfrentaram, diz o cervejeiro, são as mesmas pelas quais passam todas as empresas recém-criadas: enquanto ainda não eram muito conhecidos no mercado, era mais difícil conseguir fornecedores e parceiros comerciais. Ao ganharem reconhecimento, os caminhos foram ficando mais fáceis para os sócios.
Hoje, a Tupiniquim fabrica cerca de 15 mil litros de cerveja por mês, distribuídos em oito rótulos. Para se diferenciar, iguarias tipicamente brasileiras, como caju e manga, são adicionadas à receita. A identidade com o Brasil também está no símbolo da marca, uma arara-azul.
Os sócios não pretendem puxar o freio. Projetam ampliar a estrutura da fábrica para aumentar a produtividade. Há três receitas novas à vista, que devem chegar ao mercado nos próximos meses. Os ingredientes ainda são segredo. Também não revelam se o investimento de R$ 2 milhões aplicado no sonho já foi compensado. Mas que já deu retorno, é certo:
“O mais importante para nós é a valorização do nosso trabalho que tivemos ao conquistar o South Beer Cup 2014 como a melhor cervejaria da América do Sul, com duas medalhas de ouro, duas de prata e uma de bronze”, celebra Ribeiro.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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