O anúncio foi feito durante seu programa dominical “Aló Presidente”. Durante sua declaração, Chávez lembrou que o prazo para a nacionalização das empresas venceria na segunda-feira, 18. O presidente não deu mais detalhes sobre o status e o resultado das negociações que foram iniciadas em abril, quando anunciou sua intenção de nacionalizar a indústria de cimento do país.
Três das principais empresas de cimento da Venezuela pertencem a grupos estrangeiros e serão afetadas pela nacionalização a mexicana Cemex, que domina quase metade do mercado venezuelano, a francesa Lafarge e a suíça Holcim que dividem o restante do mercado.
Participação acionária
Pelo decreto que regula a nacionalização, emitido em junho, as empresas teriam 60 dias para negociar uma “possível participação acionária”. Esse prazo venceu à meia-noite da segunda-feira, horário oficial de Caracas.
O decreto também previa a possível prorrogação das negociações por “acordo comum” e estabelecia a data de 31 de dezembro como prazo para entrega das instalações.
Ao fazer o anúncio, em abril, Chávez afirmou que pagaria “até o último centavo” pelas empresas. Na época, também se falava em um esquema de participação de até 40% para as companhias.
A BBC não conseguiu conversar com os porta-vozes das empresas que serão nacionalizadas para saber se havia sido impossível chegar a um acordo ou se rejeitavam participar das novas empresas de cimento. Pelas palavras de Chávez é possível interpretar que as empresas serão expropriadas e receberão uma compensação que será determinada por uma avaliação feita pelo Estado venezuelano.
Política habitacional
Durante seu discurso no domingo, Chávez reforçou que a nacionalização das empresas busca inserir a indústria do cimento dentro do que define como a “economia socialista” e é necessária para impulsionar a política habitacional de seu governo.
O governo venezuelano acusa as companhias de exportar seu produto e deixar desabastecido o mercado local, onde o cimento integra a lista de produtos de primeira necessidade cujo preço é controlado pelo governo.
As empresas argumentam que mais de 60% de suas vendas se realizavam dentro da Venezuela e garantem que o crescimento da demanda é a causa dos problemas na oferta do produto. Ao mesmo tempo, o déficit de moradias na Venezuela aumentou em quase uma década durante a chamada Revolução Bolivariana e estimativas oficiais apontam que o saldo negativo chega 1,8 milhão de residências.







