Com as constantes chuvas e a subida das águas tanto na capital quanto no interior do Amazonas, o comércio nas proximidades dos rios está sendo prejudicado. Alguns dos estabelecimentos já sentem a redução no faturamento. Entretanto, outros ainda se mantêm otimistas.
O Atacadão das Ferragens fica na Rua dos Barés, no Centro, uma área diretamente atingida. Na avaliação da gerente da loja, Cléia Lima, a maioria dos consumidores do estabelecimento é composta por pessoas do interior. Aproximadamente 60% dos clientes são dos municípios vizinhos de Manaus e costumavam vir pelo menos uma vez por semana à cidade. Agora com o período de cheias a demanda pelas mercadorias da loja está sendo feita mais por pessoas da capital.
De acordo com ela, as vendas continuam tendo um bom ritmo. “A água já está aqui na nossa porta, mas mesmo assim os fregueses continuam a nos procurar e fazer as compras normalmente. É claro que tem dias em que a chuva está muito forte, então não aparece ninguém, mas estamos com bons números”, declarou Cléia Lima.
O Atacadão das Ferragens comercializa materiais de construção, realizando suas vendas no atacado e costuma ter movimento maior aos fins de semana. “Muitos barcos chegavam dia de sexta-feira e nos sábados, a loja fica lotada, em sua maioria pelos fregueses que vêm do interior”, destacou ela.
Na feira da Manaus Moderna, parcialmente alagada, os comerciantes disseram acreditar que mesmo com a cheia ainda é possível conseguir um bom número nas receitas do fim do mês.
Para os comércios que ficam próximos à beira do rio, a chuva está afetando tanto as vendas quanto o fornecimento dos produtos. Conforme o proprietário de uma banca de carne, Ademir dos Santos, o período também está trazendo a dificuldade para se conseguir material.
“A mercadoria que vendo vem do Careiro da Várzea, mas tem fornecedor que não está conseguindo mandar o produto para muitos dos vendedores daqui. Isso acaba tornando difícil o nosso trabalho”, afirmou ele.
Dependendo do movimento, ele chega a ter um faturamento de até R$ 280 por dia em períodos de verão amazônico e, agora, esse número às vezes não chega sequer a R$ 100.
Para a feirante Maria de Fátima Ribeiro, as constantes chuvas também estão prejudicando o comércio. A vendedora de frutas e verduras não revelou números de faturamentos por dia, entretanto disse acreditar que a redução de receitas pode ser de 50%.
Ela ainda contou que o número de clientes que costuma ir a feira durante os fins de semana apresenta uma pequena retração. “O maior movimento geralmente é nas manhãs de sábado. E se amanhece chovendo ninguém vem pra feira. As chuvas afastam as pessoas do Centro”, comentou a feirante.
Viagens de barco
Segundo o proprietário do barco Deus é Fiel, Oséias Carvalho, o ritmo de viagens tem diminuído nesta temporada de chuvas.
A embarcação, que costuma fazer quatro viagens por mês para Codajás, sempre transporta em torno de 40 passageiros, mas desde o mês passado esse número caiu para 15. De acordo com ele, o trajeto para Codajás, que dura aproximadamente 24 horas, costuma ser um dos mais procurados, principalmente no período das férias de julho.
Ainda assim, a demanda pela viagem durante os primeiros dias de junho está cerca de 10% superior em relação ao mesmo período do ano passado.
Mesmo com a cheia prejudicando comerciantes e ribeirinhos, algumas pessoas ainda aproveitam o espaço da beira da praia para momentos de descontração ou outras atividades, como a lavagem de veículos.







