China contesta afrouxamento nos EUA e quer explicação

Em: 8 de novembro de 2010
A China pediu ainda explicações ao Fed sobre os motivos que o levaram a adotar tal política. “Uma política doméstica pode ser ótima para os Estados Unidos isoladamente
A China pediu ainda explicações ao Fed sobre os motivos que o levaram a adotar tal política. “Uma política doméstica pode ser ótima para os Estados Unidos isoladamente

A China juntou-se a outros países que demonstram preocupação com a política de afrouxamento quantitativo do Fed, dizendo que a decisão da autoridade norte-americana de imprimir bilhões de dólares para revigorar a economia dos Estados Unidos poderá prejudicar a economia de outros países. A China pediu ainda explicações ao Fed sobre os motivos que o levaram a adotar tal política.
“Uma política doméstica pode ser ótima para os Estados Unidos isoladamente. Entretanto, ao mesmo tempo, não é necessariamente ótima para o mundo. Pode causar muitos impactos negativos para a economia mundial”, disse o presidente do PBoC (Banco do Povo da China), Zhou Xiaochuan, em fórum financeiro.
Os comentários foram feitos horas após o vice-ministro de Relações Externas, Cui Tiankai, principal negociador no G-20, pedir ao Fed para explicar sua decisão desta semana de injetar mais US$ 600 bilhões na economia dos EUA por meio de uma nova rodada de compra de bônus.
“Muitos países estão preocupados com o impacto da política (dos EUA) em suas economias”, disse Cui em entrevista em Pequim. Ele afirmou que a credibilidade internacional na recuperação e no crescimento da economia global poderá ser prejudicada se o Fed não explicar sua ação.
“Seria razoável que alguém fosse um pouco adiante e nos desse uma explicação, de outra forma, a credibilidade internacional na recuperação e no crescimento da economia global será ferida”, disse Cui. Os Estados Unidos “nos devem uma explicação”, acrescentou, sem detalhar em qual fórum a explicação deveria ser dada.
Cui disse também que a China não irá estabelecer metas para a apreciação do yuan. “Isso seria pedir para que manipulássemos a taxa de câmbio do yuan e isso é algo que nós, obviamente, não faremos”, afirmou Cui.
O representante da China no G-20 também rejeitou com firmeza a proposta do secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, de negociar metas para estreitar os deficits em conta corrente dos países e diminuir os desequilíbrios comerciais globais. “O estabelecimento de metas numéricas artificiais nos faz lembrar de uma economia planejada”, disse Cui. “Acreditamos que uma discussão sobre metas para conta corrente perde o foco. Se olharmos para a economia global, há muitas questões que merecem mais atenção, por exemplo, a questão do afrouxamento quantitativo”.
Zhou reiterou os comentários de Cui sobre o possível efeito do programa de flexibilização do Fed na economia mundial, embora também tenha expressado compreensão com a situação econômica dos EUA. O PBoC tem mantido contato com o Fed sobre a política de flexibilização quantitativa e entende que a autoridade monetária é responsável pela economia dos EUA, disse Zhou.
Como os EUA passam atualmente por uma recuperação lenta, enfrentam um elevado desemprego e baixa inflação, “podemos compreender a política de flexibilização quantitativa dentro de certas circunstâncias”, ponderou Zhou.
Mas advertiu que tal política pode causar fluxos anormais de dinheiro especulativo para a China. A diferença com a taxa de juro dos Estados Unidos e as flutuações no câmbio criam oportunidades para arbitragem, que dificilmente podem ser eliminadas, afirmou.
Zhou disse que somado a seu papel no mercado doméstico, o dólar é também a principal moeda de reserva internacional. Ele observou que muitas transações nos mercados de commodities e nos mercados de capitais são realizadas em dólares. “Há um conflito entre o papel do dólar no mercado doméstico e no mercado internacional”, disse Zhou repetindo sua demanda por uma reforma no sistema monetário global.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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