A China pode considerar a ampliação da banda de negociação diária do yuan ante o dólar no futuro, apesar da atual ser “apropriada”, segundo a vice-presidente do Banco do Povo da China, Hu Xiaolian, em entrevista à revista Century Weekly, do grupo Caixin.
A declaração de Hu foi feita apenas um mês após o banco central chinês aumentar a flexibilidade do yuan, depois de quase dois anos de indexação ao dólar. A autoridade também indica que a China poderia estar considerando a ampliação da banda de negociação do yuan ante o dólar para dar maior flexibilidade a sua moeda.
Mas parece improvável que uma mudança em direção a uma banda mais ampla aconteça em breve porque, apesar da volatilidade ter aumentado desde a decisão do banco central em 19 de junho, o yuan não atingiu ainda o limite da faixa atual, que permite à moeda oscilar até 0,5% em relação à taxa de paridade central do dólar em um dia. Hu também considerou que a atual banda de 0,5% continua “apropriada”, apesar de ter dito que uma banda mais ampla “pode ser estudada e debatida”.
“Não há nenhum cronograma referente à reforma da taxa de câmbio. Houve polêmica sobre quais níveis de taxa de câmbio são razoáveis e uma resposta clara ainda não está disponível”, afirmou Hu na entrevista.
Um trader de um banco estrangeiro de Guangzhou não acredita que a afirmação de Hu seja muito significativa. “Todos sabem que a política de reforma do câmbio está em andamento e que existe a possibilidade de ampliar a banda. O importante é saber que dados devemos monitorar como sinais de uma banda mais ampla e quando ela será ampliada”.
A volatilidade na negociação do yuan aumentou nas duas semanas seguintes à decisão do banco central de aumentar a flexibilidade da moeda, com o dólar/yuan caindo até 0,4% em relação à fixação em uma das sessões. Mas a volatilidade enfraqueceu bastante nas últimas semanas e o dólar/yuan voltaram a uma banda de negociação estreita, acompanhando a estabilidade do dólar ante outras moedas globais e o que traders consideram que poderiam ser fluxos diretos do banco central para sustentar a moeda norte-americana.
A China permite que o dólar/yuan se mova no máximo 0,5% acima ou abaixo da taxa de paridade central em cada sessão diária de negociação. Outras moedas negociadas ante o yuan podem se mover até 3% acima ou abaixo da taxa de paridade central, que é uma média de preços dada pelos participantes do mercado. Hu também afirmou na entrevista que o balanço de conta corrente de um país é o fator mais importante para determinar a taxa de câmbio apropriada, repetindo comentários de um de seus textos publicados no site do banco central no ano passado. Ela diz que, internacionalmente, o sinal mais reconhecido é o superávit ou déficit de conta corrente como porcentagem do Produto Interno Bruto. Se a conta corrente de um país fica fora de equilíbrio em médio prazo, sua moeda será vista como subvalorizada ou ao contrário, supervalorizada.
Seus comentários podem corresponder a um reconhecimento de que os altos superávits em conta corrente da China nos últimos anos foram um sinal de que o yuan estava subvalorizado, como muitos críticos estrangeiros apontaram.
China pode ampliar faixa de negociação dólar/yuan
Em: 2 de agosto de 2010
A China pode considerar a ampliação da banda de negociação diária do yuan ante o dólar no futuro, apesar da atual ser “apropriada”, segundo a vice-presidente do Banco do Povo da China, Hu Xiaolian, em entrevista à revista Century Weekly, do grupo Caixin
Redação
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