Cientistas debatem sobre queimadas e seca prolongada na capital paraguaia

Em: 13 de setembro de 2010
O representante da Embrapa, Carlos Pandovani, foi um dos palestrantes. Ele explicou aos pesquisadores como funciona o ciclo das águas no pantanal e classificou a seca deste ano como severa
O representante da Embrapa, Carlos Pandovani, foi um dos palestrantes. Ele explicou aos pesquisadores como funciona o ciclo das águas no pantanal e classificou a seca deste ano como severa

Um dos assuntos discutidos pelos cientistas no encontro internacional sobre os desafios das mudanças climáticas e da adaptação em bacias tropicais, que está sendo realizado em Assunção no Paraguai, é a seca da baía de Chacororé, que já preocupa os moradores da região e os estudiosos.
O encontro, promovido pelo projeto Sinergia do Centro de Pesquisa do Pantanal – CPP, reúne pesquisadores do Brasil, da Argentina do Paraguai e da Bolívia, além de cientistas convidados de países da Europa.
O representante da Embrapa, Carlos Pandovani, foi um dos palestrantes. Ele explicou aos pesquisadores como funciona o ciclo das águas no pantanal e classificou a seca deste ano como severa. Mas, de acordo com ele, alterações semelhantes já aconteceram em anos anteriores e poderão se repetir no futuro. “O mais importante neste momento é estar atento a qualquer mudança que possa ocorrer neste ecossistema e procurar antecipar as informações aos moradores para evitar danos econômicos e à saúde das pessoas”.
Outro assunto que ganhou espaço na mesa de debates foi em relação às queimadas que estão ocorrendo no Brasil. Segundo o INPE, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, mais 90% dos incêndios florestais são provocados pelo homem e as consequências são terríveis, tanto para a saúde das pessoas quanto para o meio ambiente.

Focos de queimada

E o problema não ocorre só no Brasil. Segundo a ONG WWF, só nas últimas duas semanas, o Paraguai teve 1.800 focos de queimadas e segundo a representante da ONG no país, Fátima Mereles, na maioria dos casos o fogo surgiu por iniciativa de fazendeiros na abertura de novas fronteiras agrícolas. “Nós temos que criar um plano de ação que envolva todos os países do Cone Sul para combater as queimadas e o desmatamento. Este plano deve contemplar duas vertentes importantes: educação ambiental e punição para quem não respeita a natureza. Não podemos mais esperar para agir”, argumenta a ambientalista.
Sugestão que tem o apoio da representante do Governo de Santa Cruz de La Sierra, Patrícia Suares, que trabalha com ordenamento territorial naquele departamento boliviano.
Ela disse que já está sendo criada uma comissão para trabalhar exclusivamente no monitoramento de estudos e pesquisas sobre mudanças climáticas, e o governo vai buscar recursos internacionais por meio de parcerias para investir nesta área. “Se não conseguimos eliminar os problemas de forma isolada, temos que nos unir para obter melhores resultados”, alerta Patrícia.

Moradias adaptadas

“A construção civil também deve se adaptar às mudanças climáticas”. A afirmação é da arquiteta Beatriz Franco Paats, da Universidade Columbia del Paraguai. De acordo com ela, estas mudanças devem começar pelas áreas ribeirinhas. Em vez de transferir as famílias atingidas pelas cheias, o que significa mais custo para o Estado, é preciso começar a pensar numa elevação das casas com uma estrutura sólida, para suportar o período de cheias sem o transtorno de deslocamento.
A arquiteta também sugere a edificação de casas mais arejadas com maior circulação de ar e aproveitamento da luminosidade natural para os períodos de calor intenso. Outra sugestão é o aproveitamento de matéria prima local para reduzir o gasto com combustível e energia para o deslocamento.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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