Os ciganos são um povo sem país. Oriundos de uma região entre Índia e Paquistão, um dia resolveram ganhar o mundo. Chegaram à Europa e de lá partiram para a América e, consequentemente o Brasil, onde pisaram no século 18. Apesar de viverem há séculos dispersos pelo mundo, a cultura cigana é rica em música, dança, artesanato e tradições orais. É um pouco desse povo que você poderá conhecer de 28 de maio, quarta-feira, a 1º de junho, domingo, no Salão Rio Solimões do Centro Cultural Palácio Rio Negro, durante a sexta edição da Feira Mística Cigana. A entrada é gratuita.
“A Feira Mística é uma ideia minha. Foi inspirada nas originais e antigas feiras místicas criadas por mim nos idos de 1993 no ICHL, no Campus Universitário da Ufam, quando, com o apoio do querido e visionário professor Gedeão Amorim, na época diretor do ICHL, pude realizar três edições da Feira naquele espaço de conhecimento”, lembrou o jornalista Lucius Gonçalves, organizador do evento.
Cada edição da Feira explora um tema. Já foram destaques a moda cigana, Santa Sara Kali (seguidora de Jesus junto com Maria Salomé, Maria Jacobina e Maria Madalena, é considerada a santa protetora dos ciganos), e este ano o tema será ‘Violas, violinos e pandeiros’.
“Será uma homenagem à musicalidade e à energia vibrante dos povos ciganos. A proposta é celebrar a conexão entre a arte, a música e a espiritualidade através de cinco dias de intensa vivência cultural”, adiantou.
Em ascensão
A primeira edição da Feira Mística Cigana aconteceu em 2020, quando a pandemia se espalhou pelo mundo, ainda assim a Feira aconteceu, em formato fechado, com apenas quatro lojistas, quatro oraculistas e a participação de 70 pessoas. Em poucos anos tudo mudou.
“Nessa edição teremos 60 expositores entre lojistas, oraculistas e restaurantes, um verdadeiro sucesso. Se nas edições anteriores, com três dias de duração, tivemos um público de cerca de 3.500 pessoas, esse ano, com a duração de cinco dias, esperamos muito mais conseguindo transformar a Feira num evento empreendedor”, comemorou.
Mas aí vem a questão: os empreendedores da feira são ciganos? Manaus tem alguma comunidade cigana?
“Não. Os empreendedores não são ciganos. O que destacamos na Feira é a temática cigana, uma alusão à cultura cigana e aos ciganos espirituais. Os nossos expositores são microempresários, empreendedores, terapeutas, oraculistas e profissionais liberais. Pode até ter alguns perdidos na multidão, mas até onde eu sei, Manaus não tem ciganos porque os ciganos originais não migram muito aqui para o Norte, se concentrando mais pelo Sul”, explicou.
Durante a Segunda Guerra Mundial (1939/1945) o povo cigano foi barbaramente perseguido e morto pelos nazistas. Milhares deles, que viviam na União Soviética e na Sérvia, foram exterminados por serem considerados ‘racialmente inferiores’. Felizmente isso ficou para trás e hoje sua cultura alegre e colorida poderá ser conhecida na Feira Mística.
“Nunca tivemos problemas com relação ao misticismo da Feira. Somos muito respeitados e sobre tudo respeitamos todos os credos, até mesmo quem não se reconhece como místico ou esotérico gosta do nosso evento. Nosso público é diverso, com múltiplas faces. Vai da dona de casa, que leva a família, ao empresário ou mesmo os universitários. Atingimos públicos de todas as faixas etárias por se tratar de um evento de conhecimento e não de religiosidade”, acrescentou.
Baralho Amazônico
Lucius Gonçalves ganhou fama como comunicador. Além de jornalista, ele é colunista social, radialista, comunicador de TV, podcaster, mas também tem um lado místico. É consultor esotérico, místico zen, tarólogo e criador da LMA (Legião da Magia Amazonas).
“A LMA é formada por um grupo de místicos esotéricos preocupados em empreender, prosperar seus negócios e alcançar o maior número de pessoas que simpatizem com essa temática. Qualquer pessoa pode participar, basta nos procurar durante a Feira”, avisou.
Também durante a Feira, Lucius lançará seu livro ‘Baralho Cigano Amazônia’, dia 29, às 19h.
“O Baralho Cigano Amazônia é resultado de uma pesquisa de três anos. Consiste numa leitura amazônida dos arquétipos do baralho cigano tradicional, trazendo para o universo da floresta a magia cigana. É prefaciado por Milton Cunha, pesquisador do folclore e da mitologia amazônica, e ilustrado por Glen Dinely. Foi editado pela Imprensa Oficial do Estado do Amazonas”, informou.
Em todos os dias da Feira acontecerão apresentações de dança e performances culturais com espetáculos da Casa de Isis (Escola de Dança do Ventre), de Maise Ribeiro; e da Escola de Dança Adriana Amazonas, mais terapias alternativas, leitura de oráculos, venda de produtos esotéricos, vestuário e artesanato místico.
Na gastronomia estão confirmados a Casa de Iolanda Café & Bistrô, Carlota Drinks, Bar do Áureo, Restaurante D’Aquele Indígena Comida Regional e Tacacá, Hot Dog Cantina Vieiralves, Susana Vieira Restaurante, Two Diebs Confeitaria, Antonella Café da Manhã e Tarde, entre outros.







